Archive for novembro \30\UTC 2008

speechless

novembro 30, 2008

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Existe sempre alguma coisa ausente, um vazio, um buraco, um hiato, um silêncio. Sentimos uma imensa, profunda falta de alguma coisa que não sabemos o que é. Seria alguém? Alguma coisa que perdemos pelo caminho? Um segredo? O tempo que passou? Os anos que não voltam mais?

Alguma coisa sempre faz falta, mas não sabemos o que é. Só é possível saber que essa ausência dói, machuca demais – dia após dia – sem remédio nem cura. Seria a dor dessas intermináveis esperas, desses chamados que não chegaram e quando vinham nunca traziam nem a palavra e nem a pessoa esperada? Ou a dor de saber que algumas coisas temos que viver e aprender de novo, e de novo, e de novo?

Talvez esse vazio não seja nada mais que a verdade, quando descobrimos que nada foi como esperávamos ou planejamos. Quando não sabemos quem ou o que realmente somos. Queremos sempre acreditar que existe apenas uma versão da verdade, contada por nós mesmos. Mas daí surge alguém que insiste em dar sua versão. A verdade é… há diversos tipos de verdades:  a verdade encoberta, a verdade nua e crua. Meias verdades, verdades completas. Verdades brandas, verdades avassaladoras.  E a verdade que dói – essa verdade nós nunca queremos ouvir. A grande verdade é que somos todos comuns e sozinhos – e isso dói.

“Acho que há excesso de palavras faladas no mundo porque as pessoas temem em se ouvir, caso silenciem. Minha teoria pessoal é que falam por medo do que o silêncio pode revelar sobre elas. Ou falam para encobrir o fato de que não têm nada a dizer.” (Eliane Brum in “O Olho da Rua”)

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Everybody is “somebody’s somebody”

novembro 25, 2008

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“Os laços que nos unem às vezes são impossíveis de explicar. Eles nos conectam até mesmo quando os laços deveriam ser quebrados. Alguns laços desafiam a distância… e tempo… e lógica. Porque alguns laços são simplesmente… o que eles são” . ( G.A – 5.08 )

Somos feitos de histórias, construídas em todos os tipos de lugares, de maneiras comuns ou inesperadas. Guardamos na alma mapas secretos de caminhos percorridos que escondem cicatrizes de velhas feridas (algumas que insistem em não curar). Provamos um pouco da tristeza e da alegria. Ganhamos na mesma medida que perdemos. Em algum momento nos conectamos com pessoas especiais, que enchem nossa vida de sentido. E quando menos esperamos, perdemos a capacidade de nos conectar… Rompimentos não são apenas físicos, corta-se uma conexão e pronto.  Não, ficamos órfãos, vazios, nos tornamos cadáveres desconectados de nossos “aparelhos” que nos ajudavam a “respirar”. Neste momento rompe-se o equilíbrio precário da vida. Mudos, nos tornamos capazes de falar mil coisas sem dizer uma só palavra, de guardar infinitos dias de agonia em apenas um olhar. A vida então fica assim, vazia de sentido, plena de paradoxos. A gente não embarca na vida dos outros impunemente e depois vai embora como se nada tivesse acontecido. Essa viagem, é sempre sem volta.

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novembro 25, 2008

Odeio Natal, mas esse comercial é o mais legal – ever!

wishlist

novembro 23, 2008

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Eu queria um dia me transformar, em algum momento, na melhor companhia que você já teve nos últimos tempos. Queria fazer de algumas poucas horas do seu dia, nas melhores que você já teve nesses trinta e poucos anos. Por alguns instantes, ser alguém que você sempre quis ter. Alguém que te permitisse sentir a alegria e a emoção que poucas pessoas ou momentos puderam te proporcionar. Alguém que diz a verdade – e te escuta – sem receio, sem vergonha, sem censura, sem bloqueios. Alguém que sabe dividir as alegrias e as tristezas com a mesma intensidade e disposição, sem impor condições. Alguém que te entende, porque passou dias, meses, anos, estudando seu comportamento, sua personalidade e amadureceu com a incapacidade de te entender. Eu queria apenas por um dia me transformar – mesmo que por segundos – em seu espelho e, olhando nos seus olhos, dizer que você é lindo, que é adorável, mesmo com toda essa sua vulnerabilidade, seus medos e sua complexidade. Queria por um instante, sem nenhuma hesitação, poder te contar um segredo, um mistério, que diz que podemos ser especiais, mesmo sendo exatamente como somos: uma bagunça. E por um instante, te deixar perplexo, porque não há nada mais chocante do que saber que alguém nos ama apesar de nós mesmos.

I can handle the mess

novembro 22, 2008

 
“Quando você é criança, a noite é assustadora. Porque existem monstros escondidos debaixo da cama. Quando você cresce os monstros são diferentes. Desconfiança… solidão… arrependimento. E embora você seja mais velho e mais sábio, você ainda se vê com medo do escuro.

Dormir… é a coisa mais fácil de se fazer. Você só… fecha os olhos. Mas para muitos de nós, dormir parece estar fora de nossa compreensão. Nós queremos, mas… não sabemos como conseguir. Mas, uma vez que enfrentamos os nossos demônios… os nossos medos e pedimos ajuda uns aos outros… a noite não é tão assustadora assim porque… nós percebemos que não estamos totalmente sozinhos na escuridão”.  (Grey’s Anatomy 5.09)

Gabriela

novembro 22, 2008

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– Tia, por que você não tem filhos?
– Porque a tia não casou ainda.
– Mas tia, por que você ainda não casou?
– Porque a tia ainda não encontrou alguém que
quisesse casar com a tia, entende?
– Não, tia.
– Tia, eu não quero ter neném.
– Por que não?
– Porque tem que cortar a barriga.
– Ah, mas hoje você toma uma injeção e não
sente dor pra tirar o neném.

– Pior ainda tia, injeção dói mais que
cortar a barriga. Entende?
– Sim querida.
– Tia, eu te amo um montão.
– Eu te amo mais.
– Tia eu te amo do tamanho do céu.
– Eu te amo do tamanho do infinito.
– Tia, o que é o infinito?
– Infinito é o que nunca acaba.
– Então eu te amo do tamanho do infinito.
– Eu também querida.
– Ah tia, assim não vale.

(16/09/2007)

reinventando a vida

novembro 21, 2008

Estou de volta. De cara nova e velha ao mesmo tempo. Selecionei meus posts favoritos e juntei tudo aqui. Cada um tem sua marca, sua história, confissões de minhas escolhas, dos meus dilemas e dos meus erros. Ainda estou aprendendo a usar o WordPress,  meio complexo demais – assim como a vida. Mas é por causa da complexidade das coisas, da vida, que escrevo. As palavras me ajudam a entender um pouco o mundo, as pessoas, a mim mesma. Escrevo sobre o que não entendo para descobrir o que sou. Duvido o tempo todo das certezas: das minhas e do mundo.  E quanto mais escrevo, menos me entendo. Quanto mais acho que sei de mim, me escapo. Acho que o grande milagre da vida é a capacidade que as pessoas têm de se reinventar, de dar sentido ao que não tem nenhum. A cada manhã, minha missão é me reinventar.  A vida é um mistério e, por isso, ela é fascinante.

para o homem que tem alma no nome

novembro 21, 2008

sad

Porque você é um homem que tem alma no nome e um sorriso que seduz, eu prometo amor eterno, salvo se você se tornar uma pessoa comum, o que, aliás, você nunca vai ser porque você acorda cedo, não gosta de cuecas, tem um ar desencanado e não come arroz.

Porque você é um homem que tem alma no nome e chorou muitas vezes no meio da madrugada por não conseguir dormir e ficou tendo pesadelos quando a insônia dava trégua. E porque você fica sonhando com dragões, fica me acordando no meio da noite em busca de calor, e isso me preocupa, porque vou querer carinho nas minhas noites de insônia, mas você vai estar longe demais pra eu poder te abraçar.

E porque quando você começou a gostar de mim procurava identificar todas as nossas afinidades, até mesmo uma pinta no pé, para fazer comparações e traçar paralelos que um dia poderiam ser unidos. E porque você tem um rosto lindo, cabelos grisalhos e anda cantando como um pop-star maluco, mas nunca consegue ser chato. É quase uma celebridade.

E porque você é um homem com alma no nome, eu te desejo horas, dias e anos de felicidades, de preferência ao meu lado: quando não me quiser mais por perto eu sei que vou chorar, mas se escolher se mandar, eu prometo tentar entender, porque eu te entendo.

E porque você é um homem que nunca desiste e suas mãos foram feitas com algodão, e tem olhos tristes; porque você é um homem que não deixa ninguém perceber do que tem medo. E você vai ficando nervoso com as pernas inquietas quando as coisas fogem do seu controle. E porque você é um homem com alma no nome e cativou meu coração com uma carta escrita à mão e adora vinho e café, eu lhe peço que me sagre sua Constante e Fiel Companheira.

E sendo você um homem com alma no nome, eu lhe peço também que nunca me deixe sem a tua presença – mesmo que distante –, como naquele longo ano em que me esqueci como era teu gosto. A vida fica muito silenciosa e escura sem tua presença que não consigo chegar a lugar nenhum; tudo ao meu redor parece me olhar com pena; é um vazio tão grande que os homens nem ousam me amar porque dariam tudo para ter uma maluca penando assim por eles: com a mão na boca, sentada sobre a perna direita e com aquele olhar distante.

E porque você é o único homem com alma no nome que eu conheço, eu escrevi um texto tão bonito para você, a fim de que, quando eu desaparecer, você possa ler e reler minhas palavras, pensando naquele pedaço que eu peço que fiquemos “juntos até nos tornarmos velhinhos que usam all-star”.

E já que você é um homem com alma no nome, eu estou vendo você se despir agora e me levanto para recolher você no meu abraço, e o mundo à nossa volta se faz silencioso ao testemunhar nossos corpos que compartilham segredos nunca escritos, nossas dores, nossas frustrações. Porque você é um homem com alma no nome, com um coração que não deixa o teu corpo descansar, eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é diferente de todos os amores que eu já tive e que todos os homens que eu cheguei a amar não eram mais que tristes estátuas que não conseguiam enxergar esse verdadeiro eu inquieto dentro de mim que já havia desistido de te encontrar. Mas o destino foi passando você de mão em mão até mim; foi passando você até mim entre pedidos, súplicas e reclamações – porque você é lindo, porque você é especial e tem ar sossegado e sobre tudo porque você é um homem com alma no nome. (22/10/2007)

Adaptação de “Para Uma Menina Com Uma Flor”
Vinicius de Moraes

simples assim

novembro 21, 2008


Viver é um aprendizado diário, tem suas dificuldades, dores, alegrias. Mas a vida é simples. A gente é que às vezes complica muito. Ou idealizamos demais ou olhamos tudo com excessivo pessimismo. O que as pessoas querem? Amar, serem amadas, comer, beber, sorrir, dormir, fazer amor, abraçar, beijar, ter amigos, viajar, conhecer coisas novas, sonhar… Dias felizes virão – e os difíceis, tristes, também. Um dia celebraremos nascimentos, outros enterraremos nossos queridos. Sofreremos, superaremos a dor e seguiremos. Um dia vamos envelhecer, nosso corpo vai se cansar, adoecer e também partiremos. Vamos deixar aqui pessoas chorando nossa ausência (espero que seja assim). Então pra que complicar? Por que sofrer com o que já faz parte do passado? Pra que tanta agonia por um futuro incerto, que depende do hoje, do nosso presente – que não conseguimos sequer administrar com leveza? Precisamos aprender a olhar (e viver) a vida com mais simplicidade.

when november comes

novembro 21, 2008

bye4

Ela só sabe que existe aquela coisa, talvez seja uma dor, um vazio, algo que fica latejando, uma fome, certa vontade louca de fugir. Isso preocupa, apavora, quebranta. É aquilo que sempre chega quando fica claro que algo foi perdido pelo caminho. Não é capaz de deixar as coisas irem acontecendo. No fundo, queria mesmo era reinventar encontros e apagar todos os abandonos. Bem no fundo, só queria que entendessem que sua vida consiste em não agir como se deve agir; em não fazer o que esperam que faça. E de tanto buscar o que não podia ter, surgiu o que não esperava: o in-di-zí-vel. Quanto mais insistia, desistia. Cansou então de esperar que o inesperado acontecesse, desisitiu diante do medo da recusa que quase sempre via em pequenos gestos. Sabia melhor do que ninguém que, além do que não tinha, não lhe restava nada. Estava pronta para partir, quando o telefone tocou. Então uma voz que não ouvia há muito tempo, tanto tempo, que mesmo assim não poderia esquecê-la. Era uma voz que dizia: “vá fazer análise, natação, massoterapia, psicologia, gastronomia, saia dessa obsessão de querer fugir pra que alguém te leve pra casa”. Ela não conseguiu responder, estava engasgada com a vida, sufocada pela lembrança do que não aconteceu. E num profundo desequilíbrio, com meio sorriso preso nos lábios, decidiu partir. Retirou-se com um cheiro de roupa suja, suor e solidão. Por muito tempo fez-de-conta que tudo era um faz-de-conta, e fez-de-conta que era feliz. Viveu profundamente, como sempre, porque não sabia viver de outro modo. (06/10/2008)