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Alguma coisa ficou no ar, entre o cair da noite e o amanhecer. Foi de repente, talvez nem tão de repente assim. Foi como se assistisse à vida em slow motion, que acordei e percebi que não conseguiria mais. Foram muitas tentativas nesses anos, meses, dias, horas. Tantas vezes, quantas dúvidas e uma única certeza: o espanto com a velocidade em que o tempo passou até aqui. Me apeguei às esperanças. Me iludi com a beleza fugaz dos sonhos. Me perdi sem saber onde estava enquanto vivia. Não, não está tudo bem, não é hora de descansar, esquecer, esperar ou respirar. Não faz bem saber que não consegui. O que esperar ainda? O inesperado? Tanto faz. Hoje quero apenas ficar deitada no chão olhando para o teto até amanhecer. Vou jurar que não quero mais, que não estou nem aí, que me tornei uma pessoa fria, que mandei tudo pras cucuias. Não implorarei para que fique. Não pedirei para que volte. Não direi mais que te preciso. Não direi mais nada – agora sou indizível. Foi de repente, talvez nem tão de repente assim, que o tempo passou – e tudo continua tão igual. Sigo sentindo falta do que não tive, do que ainda não veio, do que não vivi. Dentro de mim, uma combinação de coisas, de quereres, de não saberes, de tudo isso que aflige tanto. Todo dia é assim: num piscar de olhos, num virar de página – passou-se muito tempo, e eu não consegui, por mais que desejasse, me lembrar de te esquecer. (11/07/2008)

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