inquietude

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Por que nossas bocas não se encaixaram como deveria de ser? Não me faça perguntas difíceis. Pensando bem, existe um espaço entre o tocar e sentir. Às vezes somos tocados, mas não sentimos. Posso dizer que te provei mesmo antes de tocar-me. É compreensível que duas bocas não se entendam quando as almas estão bastante ocupadas. Houve alguma coisa perfeita e graciosa, doce entre elas – nossas almas. Me encontrei e me perdi em ti mesmo. Suas palavras me intimidam. Tive medo de falar coisas que pudessem te afastar ou te ligar fortemente a mim.

Algo ficou suspenso no ar. Mas qual a razão desse silêncio? Se eu mesma não me entendo, fique tranqüilo, não espero que me compreenda. Minha completude vem da minha complexidade. Minha inquietação vem de querer entender o que não pode ser explicado. Será que ficamos puros demais? Será possível ser feliz sem ter vivido antes as dores da infelicidade? Se alguém é feliz sem nunca ter sofrido, como pode saber o que é felicidade? Quando acho que estou me entendendo me perco naquilo que achava ser o que precisava. Minha alegria é inventada. A realidade é silenciosa e anda de mãos dadas com a solidão.

Existe algo a minha espera e constantemente saio em busca desse algo. Talvez numa dessas buscas tenha me desencontrado com o esse algo que não encontro nunca. Perco tanto tempo tentando me entender e a única certeza que tenho é da necessidade que minha autenticidade seja preservada. Por isso sigo sendo eu mesma: eu e eu. Porque estou cansada de não ser eu para ser quem alguém espera. Neste momento em que escrevo queria te dizer em palavras, olhando nos olhos, coisas bonitas que te disse em silêncio. Preciso te contar que me adaptei ao inadaptável, valorizei o que não tinha valor algum e me perdi em mim mesma. Nas minhas melhores intenções, provoquei algumas dores e me feri algumas muitas vezes também. Mas entenda, por mais que o pior de mim faça mal aos outros, meu lado ruim me faz muito bem, porque é quando eu sou quem realmente sou.

Minha autenticidade precisa ser preservada pra que eu possa seguir sendo eu mesma: inexplicável. Posso ter desistido de muitas coisas até aqui, mas não desisti de mim mesma. Posso tolerar todas as pobrezas, de dinheiro, de riquezas – menos a de espírito. Não pense que sou essa pessoa forte que pareço ser. Mas também não sou uma pobre menina fragilizada. O segredo é que a força nasce da minha alma esquartejada. Uma coisa provoca outra. Mas hoje eu queria mesmo era me sentir fragilizada em um abraço forte, acreditando que ontem é hoje e que haverá sempre um amanhã melhor. Anos, meses, dias. O tempo voa e eu aqui gastando horas tentando escrever algo pra você, quando na verdade, gostaria mesmo que você me escrevesse, me desenhasse em palavras. E ao me traduzir me contasse, em segredo, em palavras faladas, o que pode suceder com duas vidas quando se encaixam. (19/04/2008)

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