7:00 da manhã

so-tired

eu queria que hoje não fosse apenas um dia comum. todos os dias eu acordo e desejo um dia não-comum. faz tempo que todos os dias são assim, comuns. então é comum não conseguir esconder essa minha expressão triste mesmo quando sorrio. carrego um misto de amargura e expectativa, desses que ficam estampados na cara depois de uma vida de procura-sem-encontro e espera-sem-chegada. por isso, em momentos-de-ausência-e-lucidez fica difícil suportar essa sensação de quase-felicidade, quase-sucesso, quase-encontro, quase-amor. se não era cedo demais era tarde demais. foi sempre assim: cedo-tarde-demais pra tudo, pra olhar, sonhar, cantar, viajar, ouvir, dançar, perdoar, chorar, beijar, desejar, partir, ficar. se a vida não fosse tão comum, incomum seria não querer mudar de casa, de rua, de nome, de vida. por que? porque não, porque sim, porque é quase noite e lá se vai mais um dia comum. e eu só queria que você chegasse mais perto, um pouco mais perto de mim, da minha realidade-mais-que-comum. mas o que chega sempre é mais uma madrugada-cinza-comum. e isso dói, isso dói demais. e não, isso não é amor. é terror de estar viva e não entender nada disso. (26/09/2008)

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