Archive for dezembro \31\UTC 2008

oh lets go back to the start

dezembro 31, 2008

O Natal passou, mais um ano está acabando. Eu sei que deveria escrever um super post, cheio de sentimentos, etc. Mas estou de plantão no trabalho e sem tempo pra fazer isso. Ok, confesso: ando sem inspiração, sem paciência. Mas deixo aqui meu desejo para 2009: que o amor e a paixão não nos façam necessariamente “mega-felizes”, mas que ao menos, eles nos tornem um pouco diferentes, melhores, que eles de alguma maneira, nos transformem.
Beijos a todos!

“Nós entramos no mundo sozinhos e saimos dele sozinhos. E tudo que acontece no decorrer? É um dever nosso achar uma companhia para nós mesmos. Nós precisamos de ajuda, nós precisamos de apoio. Caso contrário, nós estamos nessa sozinhos… estranhos… afastados uns dos outros. E nós esquecemos… o quão conectados somos. Então ao invés disso, nós escolhemos o amor… nós escolhemos a vida… e por um momento… nos sentimos um pouco menos sozinhos.” (Grey’s Anatomy  5.10)

believe in Father Christmas

dezembro 17, 2008

Querido D.

Tenho andado meio distraída, pensando demais no trabalho, na vida. Não, nem um pouco ocupada, muito pelo contrário: desocupada demais. Aí já viu, sobra tempo pra ficar fazendo aquelas bobagens de balanço-de-fim-de-ano. Afinal, o Natal já está aí: nas ruas, na televisão, nos programas da Globo, nas vitrines das lojas, nas decorações dos shoppings que, mesmo com toda essa “crise financeira”, estão abarrotados de gentes e suas sacolas cheias de presentes e almas vazias de sentido. Você sabe, não gosto de fim de ano, especialmente o Natal. Acho tudo mercadológico demais, absolutamente TRISTE! Mas confesso que esses dias perdi meu ódio pelo tal “Papai Noel”. Deixa eu te contar, depois de gastar um tempinho observando um pobre senhorzinho que devia ter passado o dia inteiro sentado, pagando mico com aquela roupa-ridícula-num-calor-infernal-de-dezembro e tirando fotos com aqueles pirralhos malas, cheguei à conclusão que tenho, sim, muita pena dessas pessoas. Pra muita gente conseguir um “bico” nessa época de “crise mundial” é o melhor presente de Natal que alguns podem querer. 

Deixando o Natal um pouco de lado preciso contar: quase sempre penso em você. Mais à noitezinha quando saio do trabalho caminhando pensativa. Mais naqueles dias que parecem que existe uma placa na testa da gente dizendo: “LOST!”. Ontem mesmo fiquei lembrando da última vez que te vi. O pensamento que penso de você é fotográfico. Acho que daria para decorar uma casa, cheia de boas imagens com esses pensamentos. Esses dias fiquei assistindo aquele filme da sua época de universitário. Gastei um bom tempo tentando te localizar no meio de tantas moçoilas e suas calças bag e vestidos com tecido tafetá. Realmente você mudou um pouco, mas o seu sorriso (ah teu sorriso, lembro) esse é o mesmo que conheci três anos atrás. Bom, depois dessa overdose de nostalgia, de ficar lembrando dessas épocas deliciosamente melosas-piegas-bregas-românticas-banais e de encontrar meu segundo fio de cabelo branco essa manhã tive a sensação de que nossa vida daria um livro, um filme talvez. Não, todas essas lembranças não me doem. Não trazem tristeza alguma. Nada que eu penso de você ameaça. Uma coisa é certa, nunca me lembro de te esquecer. Boas e bobas são as coisas todas que penso quando penso em você.  

Sabe, esse ano não foi dos mais difíceis, mas passou longe de ser perfeito. Parece que foi ontem que estava começando e já está chegando ao fim. Foram 12 meses de perdas: perdi literalmente meu amor pelo trabalho. Perdi muitas vezes a fé nas pessoas e por duas vezes perdi você de vista. Também perdi a conta de quantas vezes perdi a vontade de desistir de você. Talvez perder seja o caminho para ganhar algumas vezes. Querido, hoje pedi que o Papai do Céu (o Noel não, anda muito ocupado com as crianças do shopping) te dê uma vida nova de presente, cheia de sonhos bons escritos nas paredes da sua alma como canções-pop-rock que você adora. Pedi  pra Ele nunca deixar que você se canse de andar, criar, transformar, sonhar e amar. Que daqui pra frente baby, você aprenda, todos os dias, a PERDER…
o medo de ser feliz.

Fico por aqui.
Beijos da sua sempre amiga.

we never change

dezembro 14, 2008

de-repente-30-poster04

Quando era uma pré-adolescente não via a hora de fazer logo 15 anos. Depois 18. Então os 25… nunca me senti adulta o suficiente diante de determinadas situações ou pessoas.  Não cresci muito, fiquei nos meus 1,63 de altura. Mas foi chegando um ponto em que me tornei oficialmente uma adulta. De repente, sem que me desse conta, já tinha idade suficiente para votar, dirigir, beber, pagar as contas. Vamos ficando mais velhos e tentamos ser o que as pessoas esperam: mais responsáveis, sérios, maduros… enfim, adultos.

Nos últimos anos vi quase todos os meus amigos de adolescência se casarem (muitos nem convidaram) e aumentarem suas famílias. Também vi outros se divorciando. Alguns mudaram um pouco: menos cabelo, quilos a mais. Outros nem tanto. Mas será que nós realmente crescemos? Às vezes tenho a impressão de que todos continuamos os mesmos e com os mesmos problemas de quando tínhamos 15 anos.

Constantemente sinto a mesma sensação de desespero que vivi no meu primeiro dia de aula da primeira série do primeiro grau. Achava que jamais aprenderia a ler. Este sentimento se repetiu inúmeras vezes: nas provas de matemática do segundo grau, no vestibular, nas apresentações de trabalho da faculdade, nas entrevistas de emprego, nos primeiros dias de trabalho e… quando me apaixono por alguém.

Até hoje é assim, aquela sensação de desespero de antes, se transformou numa impressão de que quase sempre, tudo aquilo que mais quero, é aquela coisa que não posso ter. Já perdi a conta de quantas vezes um sonho desfeito me dilacerou por dentro. Ficar adulta me fez aprender que, embora pareça simples, o amor é a coisa mais complicada que existe. Não tem manual de instrução ou fórmula matemática. Para viver o amor em sua forma mais perfeita é preciso, antes de tudo, amar.

O problema é que o amor não é uma decisão unilateral. Existe – pelo menos teria de ser assim – um relacionamento. Uns amam mais, outros menos e isso sempre complica tudo (e torna tudo mais emocionante também). Essa diferença de ritmos e sentimentos é que ditam o tom do relacionamento. Não acredito em relacionamentos perfeitos. O amor é um sentimento perfeitamente imperfeito. Não é possível controlar, quantificar, medir, imaginar o tamanho de um amor. Basta amar.

Às vezes tenho a impressão de que continuo amando da mesma maneira de quando tinha 15 anos: inconseqüente, imprudente, infinita, imensurável…  Então me lembro que é preciso agir como as pessoas esperam: como uma adulta. Talvez eu esteja aprendendo mais sobre esse amar: assim, devagar, com certa cautela – mas não com menos intensidade. Aprendi a falar menos, silenciar mais, amar um dia de cada vez sem qualquer tipo de pretensão. Mas uma coisa é certa: algumas coisas nunca mudam. Outras terminam em uma desconfortável trégua.  Não importa o quanto cresçamos ou envelheçamos. Continuamos sempre tropeçando, divagando, sempre jovens, sempre… amando.

sunday smile

dezembro 11, 2008

Medo da morte, da solidão… já perdi muito sono pensando nessas coisas. Mas nada me assusta mais do que a fragilidade da vida. Já parou pra pensar em como as coisas podem sair erradas em um dia? Acidentes, doenças, tragédias. Agora estamos vivos e daqui a pouco podemos não estar mais – simples assim. Como ainda posso respirar? Definitivamente, estar viva aqui, hoje, é praticamente um milagre. Não existe uma fórmula matemática para sobreviver.

Às vezes penso muito nessas coisas de passado-presente-futuro, mas hoje não. Eu não estou pensando em nada, eis a questão. Porque quando penso demais – e eu sempre penso mais do que necessário – estrago tudo. Pensar, pensar sobre o que pensar, isso cansa demais, é exaustivo.  Às vezes o melhor a ser feito é fechar os olhos e se jogar a favor do vento e… voar. Às vezes é preciso ligar o FODA-SE e ser feliz – mesmo que essa felicidade dure apenas alguns minutos.

Felicidade é saber apreciar pequenas vitórias, admirar a luta que é existir nesse mundo insuportavelmente inseguro, tenebroso e maravilhoso. Feliz é aquele que sabe ser agradecido pelas coisas mais simples que possui e por aquelas que nunca terá. No final das contas, o fato de termos coragem pra continuarmos firmes e de pé é razão suficiente para comemorar.

Para algumas pessoas, o tempo passa mais rápido; para outras, é preciso errar muito até conseguir acertar. Eu já errei excessivamente e não pretendo parar. Não, hoje eu não tenho medo de nada. Nem a morte, a solidão ou a fragilidade da vida me assustam. Tem dia que é preciso agir e dizer coisas difíceis de serem ditas. É necessário quebrar o silêncio e traduzir o vazio em palavras; o medo em atitudes; a solidão em encontros reais e assim viver, de alguma maneira, em algum momento, em estado agudo de felicidade.