we never change

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Quando era uma pré-adolescente não via a hora de fazer logo 15 anos. Depois 18. Então os 25… nunca me senti adulta o suficiente diante de determinadas situações ou pessoas.  Não cresci muito, fiquei nos meus 1,63 de altura. Mas foi chegando um ponto em que me tornei oficialmente uma adulta. De repente, sem que me desse conta, já tinha idade suficiente para votar, dirigir, beber, pagar as contas. Vamos ficando mais velhos e tentamos ser o que as pessoas esperam: mais responsáveis, sérios, maduros… enfim, adultos.

Nos últimos anos vi quase todos os meus amigos de adolescência se casarem (muitos nem convidaram) e aumentarem suas famílias. Também vi outros se divorciando. Alguns mudaram um pouco: menos cabelo, quilos a mais. Outros nem tanto. Mas será que nós realmente crescemos? Às vezes tenho a impressão de que todos continuamos os mesmos e com os mesmos problemas de quando tínhamos 15 anos.

Constantemente sinto a mesma sensação de desespero que vivi no meu primeiro dia de aula da primeira série do primeiro grau. Achava que jamais aprenderia a ler. Este sentimento se repetiu inúmeras vezes: nas provas de matemática do segundo grau, no vestibular, nas apresentações de trabalho da faculdade, nas entrevistas de emprego, nos primeiros dias de trabalho e… quando me apaixono por alguém.

Até hoje é assim, aquela sensação de desespero de antes, se transformou numa impressão de que quase sempre, tudo aquilo que mais quero, é aquela coisa que não posso ter. Já perdi a conta de quantas vezes um sonho desfeito me dilacerou por dentro. Ficar adulta me fez aprender que, embora pareça simples, o amor é a coisa mais complicada que existe. Não tem manual de instrução ou fórmula matemática. Para viver o amor em sua forma mais perfeita é preciso, antes de tudo, amar.

O problema é que o amor não é uma decisão unilateral. Existe – pelo menos teria de ser assim – um relacionamento. Uns amam mais, outros menos e isso sempre complica tudo (e torna tudo mais emocionante também). Essa diferença de ritmos e sentimentos é que ditam o tom do relacionamento. Não acredito em relacionamentos perfeitos. O amor é um sentimento perfeitamente imperfeito. Não é possível controlar, quantificar, medir, imaginar o tamanho de um amor. Basta amar.

Às vezes tenho a impressão de que continuo amando da mesma maneira de quando tinha 15 anos: inconseqüente, imprudente, infinita, imensurável…  Então me lembro que é preciso agir como as pessoas esperam: como uma adulta. Talvez eu esteja aprendendo mais sobre esse amar: assim, devagar, com certa cautela – mas não com menos intensidade. Aprendi a falar menos, silenciar mais, amar um dia de cada vez sem qualquer tipo de pretensão. Mas uma coisa é certa: algumas coisas nunca mudam. Outras terminam em uma desconfortável trégua.  Não importa o quanto cresçamos ou envelheçamos. Continuamos sempre tropeçando, divagando, sempre jovens, sempre… amando.

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2 Respostas to “we never change”

  1. Luis Says:

    ÉÉÉÉ!! Vc falou tudo…
    O que me impressiona é a capacidade (e a frequência) das pessoas dizerem que amam sem ao menos saberem se sentem isso… por simples “reprocidade”.
    Eu nunca quis sair dos 6 anos de idade, de repente me disseram q eu tinha 15 e opa, 26… Apesar dos tropeços, ainda tenho cabelo, quilos a menos, energia de uma criança e como no post aí em baixo, disposto a errar se for preciso… até acertar na mosca.
    Acredito que pessoas de bem com Deus no coração se encontram, só é preciso ter confiança e paciência!
    Gostei da figura!! 😉

  2. Max Says:

    Caramba! e isso ai, e mais um pouco, mas enfim a vida e assim quando somos crianças queremos ser adultos sem saber que crescer é foda!
    É não sou mais criança ? epra falar de amor bom este sentimento e tão confuso que preferio nem comentar ? mas esse texto seu e muito bom! valeu!

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