Archive for janeiro \24\UTC 2009

Let it be

janeiro 24, 2009

Packshot

O mal do nosso tempo é a depressão. Ou seria a solidão? A verdade é que as pessoas andam muito egoístas, individualistas, hedonistas, imediatistas. Não se prendem a ninguém, vivem vazias e sozinhas em busca de coisas materiais, de grandes emoções, de coisas que provavelmente nunca encontrarão – mais provável que fiquem trocando de paixão pelo resto da vida. O que falta nesse mundo é uma pressa, uma urgência de amor. Mas amar requer dedicação, entrega e muita paciência – e poucos estão dispostos. E se você quiser que ele dure, o amor tem que derrotar o egoísmo, sempre. Sabe, essa banalização dos relacionamentos me tira o sono. Estou tão cansada, exausta, desintegrada. Atravessei noites encarando minhas decepções, tentando entender aonde foi que eu errei. E até agora só aprendi que três anos não chegam nem perto de três dias de sincera alegria. Aprendi que certos momentos nunca voltarão e que as pessoas se transformam assustadoramente com o passar do tempo – ou será que as pessoas que conhecemos em determinado momento não eram quem realmente pensamos ser? Com o tempo você descobre nessas pessoas coisas que nem elas sabiam de si mesmas, e isso é muito triste. O que elas não sabem de si é assustador.

Seria perfeito se alguns momentos bonitos voltassem a se repetir sempre e sempre, como uma história que fica parada apenas no início. Com começo-meio-e-começo: sem fim. Mas coisas bonitas quase não acontecem mais. E o fim, é sempre certo. A vida anda muito dura. Não porque passamos fome ou frio, nenhuma dessas coisas. Mas porque anda sem cor, sem calor, sem ritmo e sem forma. Passaram os dias, as semanas, os meses, acumularam-se os anos e eu tive sempre, sempre a impressão de viver dentro de um enorme elevador, de uma roda-gigante em constante rotação. Inúmeras vezes me cansei, dizia pra mim mesma que estava errado, que não era assim, que não era este o tempo, o lugar, que não era esta a vida. Como me doeram essas esperas, essas expectativas que não se realizavam. E nas poucas vezes que algo surpreendente acontecia, nunca durava o tempo suficiente para que fosse eterno. Nada foi como eu esperava – mesmo eu sabendo que tudo seria assim, desde o começo. Quando a gente conhece o fim, sabe que doerá muito mais.

Eu sempre tive muito a oferecer, mas recebi tão pouco. Precisei tanto desse pouco e sem exigências, sem solicitações, aceitei o que me era dado. Não ofereci nem mais nem menos do que dispunha, mas tudo o que tinha, entreguei. A vida tem caminhos estranhos, existir é doloroso, incompreensível e excitante. Eu tenho tanta, mas tanta coisa pra dizer. Queria poder dizer tudo aquilo que guardei aqui dentro desde o começo e me calei – porque eu sempre assusto as pessoas, ou porque é sempre preciso disfarçar, esconder, jogar, amenizar, manipular, mentir… E eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse mais sincero e muito mais claro. Só sobrou esse silêncio, um hiato.

Durante algum tempo fiz coisas antigas como amar, se entregar, chorar e sentir saudades, tudo da maneira mais humana possível. Mas ando cansada dessas procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis. Não estou desesperada. Estou sim profundamente decepcionada – não mais do que sempre estive, nothing changed. Não estou louca, nem bêbada, estou é lúcida pra caralho. Vou sobreviver, eu sempre sobrevivi. Nos últimos anos andei angustiada demais, com uma coisa apertada no meu peito, um sufoco, uma sede, uma dor, um peso, um medo. Mas agora acabou, it’s over. Não quero mais saber de atitudes previsíveis, de pessoas que se doam como se fizessem caridade, de discursos prontos – autênticos clichês. Nunca tive porra de ambição nenhuma, nunca sonhei com sucesso, dinheiro ou fama. Só queria ser amada, só queria ser feliz.

Só o apaixonado por você tem a sagacidade de notar em você o que ninguém notou, fazendo enfim o elogio que nenhum professor lhe fez, a gentileza que nenhum cavalheiro lhe fez, a gracinha que nenhum canalha lhe fez. A paixão alerta sua razão que, ora, você é amado, e amado tanto assim. Então sou o homem mais sortudo do mundo. Porque essa menina rara, de pele tão branca e sardenta, ama-me careca. Um sentimento desses, está claro, pode mudar todas as pedras de lugar. Por isso tem tanta gente que não ama, nem é amado. São os que não aguentam levantar a tampa que os protege do incerto, e mudar. Portanto, quem é que não ama, não se apaixona, não odeia? Os covardes? Com certeza. Os covardes, entretanto, sábios. Naquele conceito de sabedoria que mata você de velho. E morrer de velho, covenhamos, é a coisa mais humilhante do mundo.”  – Fernanda Young –

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Nada é eterno

janeiro 18, 2009

curiouscase

“Pelo que vale a pena nunca é tarde demais…
Ou cedo demais em alguns casos.
Seja aquilo que você quer ser.
Não há limite de tempo. Pode começar
quando quiser. Você pode mudar ou
seguir fazendo a mesma coisa.
Não há regras para isso.
Você pode escolher o melhor ou o
pior da vida. Espero que escolha o melhor.
Espero que veja coisas que te surpreendam.
Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes.
Espero que conheça pessoas interessantes,
com diferentes pontos de vista.
Espero que viva uma vida da qual se orgulhe.
E se pensar que é capaz, espero que tenha
a força… para sempre que preciso for…
começar de novo. ”

– from: The Curious Case of Benjamin Button

a movie to celebrate

janeiro 12, 2009

O filme independente “Slumdog Millionaire”, rico em atores desconhecidos e amadores vai desbancar muitos enlatados hollywoodianos nas premiações cinematográficas este ano. Não é por acaso que já está sendo chamado de a “Pequena Miss Sunshine” de 2009. Uma bela história, uma ótima narrativa, daqueles filmes que a gente demora pra esquecer.

God only knows

janeiro 11, 2009

Durante muito tempo andei com um ar de pessimismo, algo meio “blasé” estampado na cara. A grande verdade é que ficava apenas tentando esconder uma esperança capaz de parar o mundo. Mas em cada momento de ruptura minha fraqueza ficou exposta, com ela, as grandes expectativas frustradas. Na minha vida sempre foi assim: sempre desejei aquilo que não podia ter. Pouco importa o quanto tenha tentando ou quão boas tenham sido as minhas intenções: os sonhos desfeitos sempre ferraram com meu coração. E para essa dor não há tecnologia, nem ciência, nem regras úteis e rápidas que possam me ajudar. É preciso apenas superar e contar com a sorte de um dia esquecer tudo isso. Tudo bem que a única coisa que tenho conseguido ultimamente é passar noites acordada, revivendo lembranças e me revirando com uma dor maldita da qual não consigo me livrar… Sinceramente estou cansada, esgotada de no final dos dias contabilizar minhas perdas. Mas, pensando bem, por mais duro que seja sofrer por querer muito uma coisa, acho que as pessoas que mais sofrem, são aquelas que não sabem o que querem.

everybody’s gotta learn sometime.

janeiro 5, 2009

1111

gostaria que existisse um manual sobre como fazer as pessoas felizes algum tipo de guia para me dizer quando errei ou acertei e por onde ir seria legal talvez assim fosse possível fazer quem a gente gosta se apaixonar pela gente todos os dias como se fosse a primeira vez igual naquele filme com o Adam Sandler e Drew Barrymore queria encontrar o segredo pra nunca foder tudo ao tomar uma decisão errada e de repente me deparar com  uma besteira que não dá pra desfazer e deixar aquilo que segurei com tanta força escorrer por entre os dedos é difícil encarar essa incapacidade de se fazer amar e então sofrer com as conseqüências talvez por isso a gente viva com essa cara de medo com medo do fracasso medo da rejeição medo da dor de não ter tomado uma atitude medo de agir medo de se entregar é uma merda que ainda não tenham inventado nada parecido com um manual de instrução do coração do outro um guia um mapa ou coisa parecida talvez um programa de computador como aquele do filme “Brilho Eterno” com  o Jim Carrey e a Kate Winslet e que fosse possível apagar todas as lembranças ruins e deixar somente as boas e poder começar tudo de novo mas pensando bem talvez a gente goste da dor porque talvez sei lá talvez a gente não se sentisse real sem ela porque não existe conto de fadas nem castelo nem “felizes para sempre” talvez um “felizes em determinados momentos” não existem regras para escapar da dor do amor porque quando você acha que conseguiu escapar dela a vida te causa mais pensando bem talvez a gente goste de ter que pagar para ver e assim cometer nossos próprios erros inúmeras vezes até aprender nossas próprias lições e mesmo assim continuar errando…

wanting waiting hoping

janeiro 1, 2009

Há anos que cultivo uma antipatia pelas festas de fim de ano. Não sei dizer quando isso começou especificamente. Como me incomoda essa imposição da mídia, da sociedade, dos colegas de trabalho (e seja lá de quem for) de que é obrigatório estar feliz no Natal e, principalmente, em noites de fim de ano! Parece exagero, mas vejo essa euforia toda como uma pasteurização dos sentimentos, das celebrações. Se não gosto de festas de passagem de ano, não gosto e ponto. Se não estou feliz é porque estou triste e ponto. Eu não tenho vergonha alguma. Para o meu total desespero, passei o dia sendo julgada e ridicularizada por não querer celebrar a passagem de ano, por encarar o dia de hoje como um dia qualquer, de querer sair do trabalho e simplesmente ir pra casa, fazer meu lanche e dormir.

Não é que eu seja “do contra”, nem amargurada. Talvez daqui alguns anos e em outras circunstâncias eu esteja eufórica nessa época. Talvez eu pare de tentar esconder a data do meu aniversário e fugir das festas de amigo-secreto. Pessoas são assim, complicadas, chatas, intrigantes. O único problema é que muita gente espera que a gente seja o que todo mundo sempre espera. No fundo, no fundo, eu sou assim, melancólica. Mas, no fundo, no fundo, eu sou sonhadora. E quando alguns ciclos se fecham e algumas coisas insistem em não acontecer, fica difícil não lembrar o quanto a gente é humano, o quanto a gente ainda vai ter que continuar esperando.

Mas ainda sou daquelas que acreditam que as melhores coisas da vida realmente chegam para quem sabe esperar. Quem sabe numa outra época eu tenha conquistas para celebrar. Quem sabe daqui um ano, dois ou dez eu tenha alguém para dizer “kiss me” nas noites de Ano Novo. Alguém que me faça sentir feliz, que me faça querer dançar, que me faça querer abrir um vinho, que me faça sorrir, que me deixe assumir minha tristeza quando estou triste e não me envergonhar dos meus defeitos – seja em dias de festa, dias de chuva, dias de calor, dias de frio, dias de sol, dias normais. Não tem jeito, há coisas que você pode demorar uma vida pra entender. Há outras, que podem levar a vida inteira para esquecer. E se tudo terminar por aqui, não tem problema. Valeu à pena. Mas acho que não parou por aqui. Pelo menos é o que espero.

Que em 2009 eu possa conhecer pessoas mais humanas, que consigam atingir um grau razoável de entrega e honestidade.
Feliz Ano Novo a todos, de coração.  Beijos

(31/12/2008 – 23h00)