Let it be

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O mal do nosso tempo é a depressão. Ou seria a solidão? A verdade é que as pessoas andam muito egoístas, individualistas, hedonistas, imediatistas. Não se prendem a ninguém, vivem vazias e sozinhas em busca de coisas materiais, de grandes emoções, de coisas que provavelmente nunca encontrarão – mais provável que fiquem trocando de paixão pelo resto da vida. O que falta nesse mundo é uma pressa, uma urgência de amor. Mas amar requer dedicação, entrega e muita paciência – e poucos estão dispostos. E se você quiser que ele dure, o amor tem que derrotar o egoísmo, sempre. Sabe, essa banalização dos relacionamentos me tira o sono. Estou tão cansada, exausta, desintegrada. Atravessei noites encarando minhas decepções, tentando entender aonde foi que eu errei. E até agora só aprendi que três anos não chegam nem perto de três dias de sincera alegria. Aprendi que certos momentos nunca voltarão e que as pessoas se transformam assustadoramente com o passar do tempo – ou será que as pessoas que conhecemos em determinado momento não eram quem realmente pensamos ser? Com o tempo você descobre nessas pessoas coisas que nem elas sabiam de si mesmas, e isso é muito triste. O que elas não sabem de si é assustador.

Seria perfeito se alguns momentos bonitos voltassem a se repetir sempre e sempre, como uma história que fica parada apenas no início. Com começo-meio-e-começo: sem fim. Mas coisas bonitas quase não acontecem mais. E o fim, é sempre certo. A vida anda muito dura. Não porque passamos fome ou frio, nenhuma dessas coisas. Mas porque anda sem cor, sem calor, sem ritmo e sem forma. Passaram os dias, as semanas, os meses, acumularam-se os anos e eu tive sempre, sempre a impressão de viver dentro de um enorme elevador, de uma roda-gigante em constante rotação. Inúmeras vezes me cansei, dizia pra mim mesma que estava errado, que não era assim, que não era este o tempo, o lugar, que não era esta a vida. Como me doeram essas esperas, essas expectativas que não se realizavam. E nas poucas vezes que algo surpreendente acontecia, nunca durava o tempo suficiente para que fosse eterno. Nada foi como eu esperava – mesmo eu sabendo que tudo seria assim, desde o começo. Quando a gente conhece o fim, sabe que doerá muito mais.

Eu sempre tive muito a oferecer, mas recebi tão pouco. Precisei tanto desse pouco e sem exigências, sem solicitações, aceitei o que me era dado. Não ofereci nem mais nem menos do que dispunha, mas tudo o que tinha, entreguei. A vida tem caminhos estranhos, existir é doloroso, incompreensível e excitante. Eu tenho tanta, mas tanta coisa pra dizer. Queria poder dizer tudo aquilo que guardei aqui dentro desde o começo e me calei – porque eu sempre assusto as pessoas, ou porque é sempre preciso disfarçar, esconder, jogar, amenizar, manipular, mentir… E eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse mais sincero e muito mais claro. Só sobrou esse silêncio, um hiato.

Durante algum tempo fiz coisas antigas como amar, se entregar, chorar e sentir saudades, tudo da maneira mais humana possível. Mas ando cansada dessas procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis. Não estou desesperada. Estou sim profundamente decepcionada – não mais do que sempre estive, nothing changed. Não estou louca, nem bêbada, estou é lúcida pra caralho. Vou sobreviver, eu sempre sobrevivi. Nos últimos anos andei angustiada demais, com uma coisa apertada no meu peito, um sufoco, uma sede, uma dor, um peso, um medo. Mas agora acabou, it’s over. Não quero mais saber de atitudes previsíveis, de pessoas que se doam como se fizessem caridade, de discursos prontos – autênticos clichês. Nunca tive porra de ambição nenhuma, nunca sonhei com sucesso, dinheiro ou fama. Só queria ser amada, só queria ser feliz.

Só o apaixonado por você tem a sagacidade de notar em você o que ninguém notou, fazendo enfim o elogio que nenhum professor lhe fez, a gentileza que nenhum cavalheiro lhe fez, a gracinha que nenhum canalha lhe fez. A paixão alerta sua razão que, ora, você é amado, e amado tanto assim. Então sou o homem mais sortudo do mundo. Porque essa menina rara, de pele tão branca e sardenta, ama-me careca. Um sentimento desses, está claro, pode mudar todas as pedras de lugar. Por isso tem tanta gente que não ama, nem é amado. São os que não aguentam levantar a tampa que os protege do incerto, e mudar. Portanto, quem é que não ama, não se apaixona, não odeia? Os covardes? Com certeza. Os covardes, entretanto, sábios. Naquele conceito de sabedoria que mata você de velho. E morrer de velho, covenhamos, é a coisa mais humilhante do mundo.”  – Fernanda Young –

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3 Respostas to “Let it be”

  1. Leticia Says:

    Pri, são poucas as pessoas que tem coragem para amar. E coragem e aquela coisa, não e falta de medo, e saber lidar com os medos … Somos privilegiadas, porque temos essa coragem. 🙂

    Capa do CD do U2 ! Quero que saia logo ! Adoro !!!

    Baixei Vicky Cristina Barcelona. Vou assitir agora, depois te conto o que achei !

    Um otimo restinho de fds para vc !

    Bjão

  2. Max Says:

    COMO SEMPRE MANDANDO BEM !!
    GOSTEI E E BEM ISSO AS VEZES NÃO SABEMOS COM ANDAMOS OU SIMPLESMENTE CONVERSAMOS BOA SEMANA PRA VC TÔCOM SAUDADE BJSS !!

  3. Ana F. Says:

    Sabe, estava aqui pensando enquanto lia mais um texto seu…Sempre acontece quando leio algo que vc escreve…São muitas idéias e opniões que não consigo colocar aqui nessas letrinhas. Encontrei também no desabafo virtual uma maneira de expor várias coisas que sentimos, que vivemos. Sempre me pergunto se é justo, se eu mereço certas coisas. Mas pensar às vezes dói…sou muito cruel comigo mesma. Não preciso mudar o mundo com minhas idéias e opniões, não quero isso. Mas na verdade é que são poucas as pessoas que conseguem nos compreender. E é nelas que devemos direcionar nossas emoções. Não naquelas que fazem de conta que estão no nosso mundo. Fazer de conta não basta. Não é disso que precisamos. Já estamos cansadas de “edições” para grudar as partes. Queremos pessoas verdadeiras que falem a verdade para nós, que demostrem os seus sentimos sem vergonha, sem enrolação. Afinal, ser feliz não siginifica apenas alguns momentos de alegria. Siginifica TODOS os momentos de sinceridade.
    Não desista! Não pare!

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