bom dia flor do dia

u2forever_

Baby,

Andei pensando naquelas coisas muito péssimas que escrevi aquele dia pensando em você.  Eu nunca gostei do Cazuza, mas ontem me lembrei daquela música dele (que na verdade é do Hebert Vianna) que diz: “Às vezes te odeio por quase um segundo/ Depois te amo mais/ Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo/ Tudo que não me deixa em paz”…  Então sei lá, achei que precisava escrever to tell you some stuff. Eu admito que sei que fui in-su-por-ta-vel-men-te pretensiosa dizendo aquelas  falsas verdades com a minha pseudointeligência. Você melhor que ninguém sabe que quase sempre sou cabeça-dura demais, quase sempre posso estar enganada e cega pra enxergar certas coisas.  Depois de pensar um pouco mais descobri que a mágoa era, de certa forma, uma sensação de estar ficando sozinha – velha e sozinha –, portanto uma sensação totalmente egoísta. Admitir isso dói, dói, dói demais. A solidão é assustadora, mas a vida é assim mesmo, a gente precisa ir se acostumando com o tempo que passa e vai fazendo as situações e as pessoas mudarem sempre – e isso quase sempre nos machuca.

So… fui egoísta demais, por isso andei com vergonha de você, da sua honestidade básica, de você sempre e-s-pe-ta-cu-lar-men-te distraído, sossegado, não esperando absolutamente nada, nem desesperado por coisa alguma. Enquanto eu, sempre andei daquele jeito, meio sem rumo, correndo dum lado pro outro dentro de mim, brigando com minhas esperanças, lembranças, me perguntando se tudo isso teria valido a pena, querendo sempre uma compreensão sangrada de tudo. Não olhava mais pro céu, pro espelho, nem pros jornais. Só queria entender o coração das pessoas — e tudo parecia tão arrebentando, desesperançado, como que despencando… então perdi a lucidez (difícil manter certa lucidez em meio a isso tudo).

Tentei por um tempo encarar a situação com a dignidade vazia dos recusados, tentando ser legal e madura, uma pessoa leve e agradável — quando na verdade só acreditava absolutamente que ninguém poderia me entender ou me curtir assim como eu sou. Estava acostumada e conformada a não contar inteiramente com ninguém, desacreditada na capacidade de compreensão do outro, sabe? Conviver é difícil, as pessoas são difíceis, viver é difícil pra caralho.

Let me tell you: sinto que a dor me ensina, aprendo um pouco mais em cada porrada, em cada segundo vivido. Seja nas coisas da infância, nos sonhos de adolescência, em algumas mágoas, decepções, realizações, traumas, tesões, rejeições, nos desejos mais alucinados, nas atitudes mais (mais) descabidas, no romantismo mais piegas, nos pensamentos mais sujos ou suicidas. Nas culpas cruéis, em coisas inconfessáveis, na confusão generalizada em que me transformei. Mas nessa bagunça existencial, em meio a todos esses sacos de lixo sentimentais que amontoei pelo caminho, sempre encontro alguma coisa que me comove e me move. Depois de todos esses incêndios, desastres, vendavais e naufrágios que sobrevivi, o que sobrou de mim é, sem dúvida, algo cada vez mais essencial e verdadeiro.

Sorry se inúmeras vezes te fiz sentir um lixo, se autopunindo ou se culpando, mesmo. As situações que passei foram conseqüências de escolhas exclusivamente minhas. Por favor, não se culpe. Tenho uma admiração imensurável pela pessoa que você é, pela sua extraordinária energia, por seu jeito literário-musical-bagunçado-tosco-voraz-homem-menino-desgrenhado-perfeito-confuso de ser que foge de qualquer compreensão. Sinto apenas — e insisto nisso — que você deveria deixar as pessoas te amarem um pouco mais.

Sabe, ando tão só, só eu-eu-comigo-mesma-e-eu, porque o meu eu com qualquer outra pessoa depois de você é tudo muito fake. Mas esses dias de solidão total até que têm sido sadios. Sigo em busca de alguma coisa que me ajude a cuidar da cabeça e me distraia dessa obsessão-que-tem-alma-no-nome ou até que ela por si só se resolva, na força ou por si mesma, não importa. Só não quero viver assim, engasgada com você, meu querido.

Talvez fosse melhor eu não falar nada, de repente seja melhor que ninguém saiba, talvez isso se volte contra mim ou pareça coisa decorada. Sinto-me vagamente ridícula e também um tanto clichê, porque sei que posso nunca mais te ver outra vez. Mas existe uma única verdade nisso tudo que aconteceu até aqui: é a você que amo.  Só queria que soubesse que essa sua ausência em mim é como um vazio, uma fome insaciável. Ah se eu te encontrasse agora te devoraria (oh God, se isso fosse possível…). Resumindo: sou irremediável. Mas você me saca, eu sei.

Please, te cuida, por favor, te cuida muito bem.
Não leve a mal alguma dureza dita.
É porque te quero bem. Forever and ever.

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3 Respostas to “bom dia flor do dia”

  1. Max Says:

    Muito bom !!

  2. Thaís Says:

    Ô, flor, saudades de vc!
    Ah, namorido é sempre bom, né? Não tem como a gente não ficar feliz quando encontra alguém especial.
    Torço para que vc encontre alguém assim, que te dê valor e te mereça, logo logo!!!
    Beijo grande e uma semana iluminada!!!

  3. Leticia Says:

    Pri, adoro ler tudo que você escreve … 🙂

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