life on mars?

Vai passar. Respire-respire-respire. Sinceramente… descobrir que a goiaba-com-queijo era na verdade uma-goiaba-bichada é pior que encontrar formiga no mel. Mas não tem jeito, pra avançar, tem que perder a ilusão. A lembrança quase sempre serve para encobrir a perda, mas, às vezes, é necessário esquecer. Existe uma teoria que-diz-que as coisas sempre acontecem antes de acontecer. No desconhecido de si mesmo, no desassossego da ausência de tudo e de todos quase sempre é possível identificar o começo-do-fim-das-coisas. Basta vasculhar aquela caixinha de interioridades para encontrar o silêncio que neutralizou os ruídos que permitiam uma visão mais autêntica dos fatos. Pensava que precisava do outro para crer em si mesma, senão se perderia no vácuo que havia dentro dela. Mas nunca conseguia sair daquela atmosfera de inconstância e desamparo, vivia atropelando os sonhos, domesticando as palavras em intermináveis perguntas, eternas filosofices – sabia muito bem como enfeitar a realidade.

Viveu uma série de faltas enquanto ansiava por uma identificação completa com o outro na sua tosca manifestação de vida, sem a proteção de máscaras sociais que encobrem o sentido de urgência que fica estampado na cara daqueles que vivem tentando disfarçar a ausência. Sentimentos desconhecidos nos atam a um mistério difícil de entender. Mas querer entender as coisas cansa. Quem indaga demais acaba incompleto. Para tudo o que se sente e deseja, o melhor é não tentar encontrar palavras para expressar o inexpressível. O silêncio talvez seja a forma mais direta de atingir a plenitude das coisas. É provável que as pessoas cresçam na dor, na tristeza e na perda… Mas o esquecimento é uma necessidade. Filtrar o passado ajuda a eliminar o que é doloroso demais, poupando-nos de ruminá-lo incessantemente. E assim, reaprender a respirar, a viver.

Saiba que cada ser é um fragmento, uma parte de algo, um-não-sei-o-que (não tem respostas prontas que exemplifique). Mas uma coisa é certa: todo mundo é um pouco triste e um pouco só, mesmo que a existência não se resuma a uma seqüência de aparecimentos e desaparecimentos. Porque existem certos laços que também acorrentam. Por isso a gente não se separa de nada sem dor, nem de pessoas, nem de lugares ou coisas. Por mais infelicidade que tudo isso nos traga, não conseguimos viver uma separação sem certa dose de sofrimento.  É necessário um passado que nos encoraje no futuro (melhor ter um passado infeliz do que não ter passado algum). A felicidade é um conceito oco, quem sabe seja crescer com menos medo do amanhã – não há respostas prontas. Mas vai passar. Respire-respire-respire. Vem cá, desmanche minha maquiagem, me dá sua língua, me dá seu ar. Existe tempo de sobra para cometermos mais erros, para nos perdermos. Tenho muito mais para errar. Transgredir os limites ainda me fascina. Amanhã vou acordar mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada, monogolando, com saudades-do-que-poderia-ter-sido-e-não-foi e morrendo de vontade de… roubar seu ar.

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Uma resposta to “life on mars?”

  1. Leticia Says:

    Olá querida ! Passei pra deixar o endereço do blog …

    Bjo grande !

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