oh let’s go back to the start

Passei dias sem digitar uma palavra que fosse, queria escrever, mas eram tantas coisas sobre as quais precisava falar que desisti repetidas vezes. Hoje sentei-me diante do computador para tentar escrever sobre:

a dor dos desencontros – o desajuste dos relacionamentos – a irracionalidade do comportamento humano – o conflito entre a ânsia de vida e a mesmice do cotidiano – um mundo de silêncios – as tentativas de recomposição de identidades fraturadas – os mistérios dessa complexa existência – problemas, depressões, fragilidades, desencantos que causam essa sofrência e denunciam um vazio infinito – a incerteza da segurança – o desejo de uma felicidade iluminada pelo amor – sorrisos aprisionados – o excesso de doçura da primeira vez – os dias que passaram – as infinitas despedidas – as pessoas que passaram e para sempre se perderam – a fome de amor – chorar por fora – chorar por dentro – o sentido secreto das coisas da vida – gritar muda – conseguir o impossível – faltas e ausências – a dura falta de algo que amenize a dor – aquelas quedas que constroem a nossa vida – os “apesar de” cheios de angústia e desentendimento – ser suave e selvagem – o amor pelo mundo que me transcende – a fatalidade da alegria – ficar pronta para alguém – olhares sonhadores, abstratos e vazios – sentimentos urgentes – a dor de existir – o enorme esforço de se sobrepor a si mesmo – essa pressa que corre por dentro – alguma coisa que precisava saber e experimentar – o que não estava sabendo e nunca soubera – conhecer a dor de não ver futuro e continuar existindo – gostar de ver as pessoas sendo – poder gastar algum tempo sendo, sem perder a vida toda.

Hoje sentei-me diante do computador para tentar escrever sobre todas essas e outras coisas, mas há um grande silêncio dentro de mim e esse silêncio ironicamente tem sido a fonte das minhas palavras. E esse vazio de palavras simplesmente traduz o desejo que cada dia não seja mais comum, mas extraordinário e indizível como a voz de uma pessoa calada. Queria poder escrever de forma direta sobre tudo que se pensa ou se sonha, exercitar a minha alma e a sua. Transmitir não sei o que – que por alguma decisão tão profunda os motivos me escaparam. Transformou-se em algo indizível em palavras escritas ou faladas.

Sim, é uma espécie de tristeza, mas não uma tristeza difícil, algo como uma tristeza de saudade (eu sou a saudade). Melhor seja não escrever nada. Li alguma vez em algum lugar que é aconselhável “não indagar o mistério para não trair o milagre”, calar-se para não se perder em palavras. Mas acho que em algum momento eu me perdi e agora é hora de me redescobrir. A redescoberta de si é de uma tristeza bonita. Hoje assumi a responsabilidade de ser eu mesma. Nesse mundo de infinitas opções, parece que – finalmente –  fiz a melhor escolha.

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