sereníssima

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Eu queria entender aquele homem. Entender aquela estrutura, o porquê daquela alegria meio triste, daqueles olhos que um dia esconderam noites mal dormidas e agora procuram por algo que nem ele mesmo sabe o que é. Queria que essa procura um dia terminasse em mim e que as únicas noites de insônia fossem aquelas ao meu lado. E se caso algum dia pesadelos o acordassem de seu sono profundo, ele poderia fazer de mim o seu mundo. Eu sei que as horas difíceis às vezes parecem não ter fim. Com seus trinta e poucos anos é provável que às vezes se olhe no espelho e encontre apenas respostas imprecisas…

Imprecisão, compreende? Incompreensão, entende? Não. Porque ninguém está disposto a entender. Entender é como amar – leva tempo e o amor não tem um tempo exato, é atemporal, infinito. E só quem sabe amar, sabe perdoar. Porque o perdão faz parte de toda uma estrutura, um algo assim transparente, que nem é sólido – nem líquido. É meio realidade, meio sonho. A estrutura do entender-amar-perdoar é assim: imperfeitamente perfeita. Mas isso agora talvez nem tenha tanta importância. Importante mesmo é sobreviver sem querer entender tudo e todos ao mesmo tempo. E isso, não é coisa simples. Então ele chora e sorri simultaneamente – porque fica sozinho mais tempo do que gostaria. Porque não sabe como dividir um pouco a sua solidão sem se prender. Porque ele sabe bem: quem se prende um dia se perde de si mesmo, pra sempre.

Eu sinto que nos momentos de euforia alguma coisa o sufoca. Talvez sejam as mesmas pessoas de sempre, o mesmo trabalho de sempre, a mesma viagem de sempre, os mesmos problemas de sempre, os mesmos lugares de sempre, os mesmos amores-fugazes-de-sempre e enfim, a mesma solidão prática de sempre. Pode ser pretensão minha, mas  quase sempre acho que só eu consigo enxergar essa inconsistência insistente e dilacerante que existe dentro daquele homem. Se eu não consigo, confesso que realmente queria entendê-lo. E enfim, por mais que eu negue ou fale diferente, a verdade é que não há nada que eu mais tema, do que a sua ausência. Se às vezes penso nela como um descanso, não a desejo.

“E é só você que tem a cura do meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi.”

– Renato Russo –

 

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