Resiliência

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Maringá – 23/06/2009
Dj espetáculo…

Eu tô meio agitada, aqui, de mudança (again!) para family’s place. Faz tempo que tenho problemas em fazer as malas e voltar pra “casa” – sempre barulhenta, problemática, com os velhos gatos e cachorros de sempre. É estranho, família é uma coisa que a gente passa muito tempo negando até perceber não só que não deve negar como também é bom, consolador. Agora decidi. Não dá mais pra continuar correndo atrás desse jornalismo utópico. Cansei de ficar procurando, esperando alguma coisa que não existe nem existiu ou jamais existirá. Minha decepção foi tão grande que tenho vontade de sumir, perder o contato com as pessoas, ficar vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música – não tenho mais paciência para esses jogos de ego, que eu conscientemente não alimento. Daí então, percebo que viver fugindo não vai curar e sigo em busca de um pouco de Sol (em todos os sentidos).

No momento, estou reduzindo tudo que tenho a no máximo duas malas. Vou ficar provisoriamente aqui. Minha vida tá em compasso de espera – penso sempre que as mulheres grávidas devem sentir algo semelhante antes de botar um filho no mundo. Talvez me mude daqui um mês para cobrir uma licença maternidade aí no interior de São Paulo, mas não sei ainda se isso é certo e nem o que vai acontecer. Sabe, sempre tentei viver no sentido de não ter muitos laços, não me prender, de ser independente, de poder cair fora na hora que quisesse e, agora aos 30 anos, podendo realmente fazer isso, me sinto meio exilada, meio… desamparada – acho que a palavra é essa. Devia ter arrumado outra profissão? Teria sido possível? E qual seria? Veterinária, psicóloga, cozinheira, costureira? Não sei.

Ultimamente estou tentando me convencer de que estou ótima. É quase um mantra. Fico aqui quietinha sem incomodar ninguém, sem dever nada a ninguém, sem nada além de eu, eu mesma e eu – e isso nem é tão ruim. Fico repetindo: “que bom, Deus, que sou capaz de estar viva sem prejudicar ninguém, que bom que sou forte, que bom que suporto, que bom que sou corajosa e até me divirto e conheço pessoas maravilhosas no meio dessa eterna-bagunça-profissional-sentimental. Estou ótima. E vou ficar melhor ainda: that’s my revenge against the world”. Hoje escrevi com batom no espelho do banheiro: “Eu Amo Você” – pra mim mesma. Quero que daqui pra frente a vida seja hoje. A minha vida não é adiável. Ser feliz agora é uma obrigação.

Enquanto te escrevo ouço Norah Jones cantando “The Prettiest Thing” que neste momento exato acabou de me fazer lembrar o dia em que nos conhecemos. Tenho uma vontade besta de voltar no tempo, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido. Saca? Aquela vontade de poder viver os encontros adiados, as visitas transferidas, os sonhos frustrados. Anyway, como me dói a certeza de um não, me dói a sinceridade do silêncio, me dói não saber de que forma chegar a você, sacudi-lo, dizer “me olha, me encara, me abraça, me aceita, me leva pra casa!” Você e a dor são coisas e-ter-na-men-te-in-se-pa-rá-veis. Tudo isso passa, eu sei. Ou pelo menos acalma com a idade – I hope so.

Me desculpe se me afastei. Ando mesmo em silêncio: saída do emprego e aquelas agitações que você bem sabe. Minha cabeça fica péssima, medos, inseguranças, paranóias, saudades. Daí, fico pensando em tudo outra vez, no cansaço, tantos anos, tantas batalhas e sempre esses mesmos problemas e carências. Teu “retorno” na minha vida me fez muito bem. E muito mal. Acho que compreendo tudo que você pensa. São coisas que me digo, também. Mas há uma diferença entre você saber intelectualmente e conseguir passar isso para o seu comportamento. Como disse antes, acho que seja apenas uma questão de tempo. Mas vamos lá, não importa mais o que foi perdido importa apenas o seu sorriso e nada mais.

HOJE É TEU ANIVERSÁRIO e eu (ainda) te quero bem, muito bem meu bem. Quero que você se sinta completamente feliz, saudável, único, maduro & equilibrado. Nessa metade de ano foram tantos acontecimentos & desacontecimentos, desentendimentos, muitas correrias, não deu pra gente se ver nem falar direito. It’s a shame! Mas there will be time, there will be time. Espero que você arrume uma namorada nova, gatinha, sem problemas, sossegada, que te dê cama & carinho – simples e gostoso. Por que não?

Só por hoje vou fingir que-os-problemas-foram-todos-superados-e-tudo-está-muito-mara-e-que-nossa-relação-foi-um-erro-e-que-vamos-ser-apenas-bons-amigos. Parênteses: bons amigos? Nem pensar, já tenho ótimos. Você-eu-quero-na-minha-cama-e-nos-meus-braços-e-com-tua-boca-na-minha. Parênteses dentro do parênteses:  essa memória da gente é espertinha, apaga o amargo, a peneira só deixa passar o doce, né?! Fechar parênteses. Espero que você continue nesse endereço, caso contrário nos perderemos (espero que não para sempre).

Espero que você esteja bem e continue bem pelos, pelo menos, próximos 35 anos, apesar dos – digamos – problemas brasileiros: trabalho demais, trabalho mal pago, suado, sofrido, viagens cansativas, contas, contas & contas. Mas eu (ainda) tenho fé. Pedi a Deus que te ensine qualquer coisa que, não sei exatamente como, consiga manter você sereno no meio desta falta absoluta de certezas. A você só vou  pedir uma coisinha: nunca se esqueça do quanto você é uma pessoa in-su-por-ta-vel-men-te-a-do-rá-vel. Tudo isso é pura verdade, e eu concluo que, de alguma forma, nossa ligação mental? espiritual? psicológica? Continua sempre muito forte – pelo menos da minha parte. Não se preocupe com não-respostas ou longos silêncios. Sou a pessoa mais indicada para compreender esse tipo de coisa.

Listen, não quero nunca me perder da sua pessoa, nem preciso dizer isso porque você sabe. Portanto, mesmo que um dia você cometa a infâmia de desaparecer da minha vida, num outro, de repente a gente se encontra numa esquina, num café, num outro planeta, no meio duma festa ou duma fossa, no meio duma multidão a gente se encontra, tenho certeza. I wish you a lot of happyness. Aproveite seu dia numa nice e toma um café por mim que o mundo acabou faz tempo.

Love from
Pri
PS — E TENHA UM FELIZ ANIVERSÁRIO!

“Somos todos Laikas, um país de Laikas, aquela cachorrinha que os russos mandaram pro espaço nos anos 50 e não conseguiram trazer de volta. Eu sempre imagino que ela caiu num buraco negro e foi dar num planeta cheio de Laikas. A condição humana é Laika, a gente urrando pro infinito.” (Caio F.)

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