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Sobre fins e quase-fins

julho 27, 2009

hello stranger

“…tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado…” Essa frase de Caio F. me define muito bem hoje. Faz um bocado de tempo que não escrevo: por falta de oportunidade – o que é bom, porque significa que ando bem ocupada. E por falta de necessidade: tenho mania de fazer da escrita minha terapia – escrevo pra espantar as dores, os temores, as frustrações – o que significa que ando numa fase bem boa depois de seis meses seguidos no “limbo”. Esses dias, em meio a esse período de tantas mudanças, andei pensando muito nas pessoas que passaram pela minha vida nos últimos anos. Tanta gente. Tanta gente! É claro que penso nas pessoas a-d-o-r-á-v-e-i-s (seres péssimos faço questão de esquecer).  Lamentei o fato de alguns terem  ficado ‘pra trás’ (amigos que se casaram, construiram suas famílias ou estão longe demais preocupados com coisas importantes), outros continuam de alguma maneira por perto (via e-mail, Orkut, MSN, Skype, etc.). Recentemente reencontrei alguns amigos de infância-adolescência e foi uma experiência muito boa. Ao mesmo tempo você descobre que muitas coisas mudaram, mas que outras permanecem exatamente iguais.

Eu sou uma pessoa que se apaixona pelos amigos e confesso: a distância de algumas pessoas parte meu coração. É uma ferida que nunca se fecha. Em cada lugar que passei ficou uma lembrança, um pedacinho de mim. Se eu disser que nos últimos dias dos últimos, diríamos, três anos e meio, não teve um só dia que não acordei pensando em uma dessas pessoas, certamente muitos vão achar que é mentira. Mas é verdade. Existem coisas inexplicáveis que acontecem que eu gostaria muito de ter resposta, mas infelizmente (ou felizmente) tenho que aceitar o mistério. Várias vezes por dia me peguei com uma cena sua na cabeça.

Você entrou na minha vida em algum dia de novembro de 2005 e nunca mais saiu. E nesses dias em que andei pensando muito nas pessoas que passaram pela minha vida nos últimos anos me lembrei da sua insistência em ser meu amigo e da minha resistência em aceitar um stranger. Me lembrei daquele dia em que passei 3 horas sentada na escada daquela rodoviária esperando você chegar, daquele beijo na esquina do Mercado Municipal, das músicas que ouvimos de longe – e de perto-, da sua mão tão macia e bonita, do seu sorriso hipnotizante, do pote de café que ganhei, de você cantando feito maluco enquanto dirigia… Me lembrei também do dia em que seu avô morreu e de todos aqueles dias tristes em que você mais precisou de um abraço e que eu não pude fazer nada. Como poderia me esquecer dos momentos em que você entrava por aquela porta? E das manhãs que eu tinha que me despedir de você sem saber se voltaria a te encontrar outra vez? Difícil.

Sabe, aconteceu muita coisa nestes muitos dias em que eu não te vejo. Um pouco mais até do que minha sanidade seria capaz de suportar. Você sabe, às vezes a vida é mais áspera do que supomos. Quando te conheci imaginei que a narrativa da nossa história seria bem diferente disso tudo que foi até aqui. Embora eu acredite em Deus confesso que briguei com ele em muitos momentos. Brigava porque acreditava. E porque não entendia como ele fora capaz de deixar você longe de mim. Eu nunca imaginei que essa distância sempre presente doeria tanto – e por tanto tempo.  Nesse tempo que passou eu te abracei por lembranças e meu sorriso ficou assim, meio triste. Você, uma pessoa que nunca gostou de sentir-se presa, me prendeu pra todo um sempre no seu mundo.

Mas agora, como eu ia dizendo no começo deste post, eu “tenho me sentido legal”. Depois de seis meses eu voltei a dormir uma noite inteira sem remédios. Viver sem você tem sido uma experiência ao mesmo tempo torturante e libertadora. Pensando bem em tudo que aconteceu até aqui, nos grandes e pequenos acontecimentos dessa trajetória, descobri que os melhores momentos foram os inesperados, não os planejados. Por isso estou aprendendo a não perder tempo tentando antecipar e planejar as coisas. Quero me dedicar apenas a viver. Se é impossível controlar, para que gastar tempo tentando? É a incerteza do que nos espera na próxima esquina o encanto da vida. Quanto ao que ficou na lembrança, isso não dá pra ignorar. Como tantas pessoas maravilhosas que caminharam comigo você é parte da minha história. Agora eu sigo aqui, com minha merecida e batalhada alegria e, de alguma maneira, torcendo para que na virada de uma dessas esquinas da vida eu acabe esbarrando outra vez em você.

Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.  (Caio F.)

“…tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado…” Essa frase de Caio F. me define muito bem hoje. Faz um bocado de tempo que não escrevo: por falta de oportunidade – o que é bom, porque significa que ando bem ocupada. E por falta de necessidade: tenho mania de fazer da escrita minha terapia – escrevo pra espantar as dores, os temores, as frustrações – o que significa que ando numa fase bem boa depois de seis meses seguidos no “limbo”. Esses dias, em meio a esse período de tantas mudanças, andei pensando muito nas pessoas que passaram pela minha vida nos últimos anos. Tanta gente. Tanta gente! É claro que penso nas pessoas a-d-o-r-á-v-e-i-s (seres péssimos faço questão de esquecer). Lamentei o fato de alguns terem ficado ‘pra trás’ (amigos que se casaram, construiram suas famílias ou estão longe demais preocupados com coisas importantes), outros continuam de alguma maneira por perto (via e-mail, Orkut, MSN, Skype, etc.). Recentemente reencontrei alguns amigos de infância-adolescência e foi uma experiência muito boa. Ao mesmo tempo você descobre que muitas coisas mudaram, mas que outras permanecem exatamente iguais.

Eu sou uma pessoa que se apaixona pelos amigos e confesso: a distância de algumas pessoas parte meu coração. É uma ferida que nunca se fecha. Em cada lugar que passei ficou uma lembrança, um pedacinho de mim. Se eu disser que os últimos dias, dos últimos – diríamos, três anos e meio – não teve um só dia que não acordei pensando em uma dessas pessoas, certamente as pessoas não acreditariam. Mas é verdade. Existem coisas inexplicáveis que acontecem que eu gostaria muito de ter resposta, mas infelizmente (ou felizmente) tenho que aceitar o mistério. Várias vezes por dia me peguei com uma cena sua na cabeça.

Você entrou na minha vida em algum dia de novembro de 2005 e nunca mais saiu. E nesses dias em que andei pensando muito nas pessoas que passaram pela minha vida nos últimos anos me lembrei da sua insistência em ser meu amigo e da minha resistência em aceitar um stranger. Me lembrei daquele dia em que passei 3 horas sentada na escada daquela rodoviária esperando você chegar, daquele beijo na esquina do Mercado Municipal, das músicas que ouvimos de longe ou perto, da sua mão tão macia e bonita, do seu sorriso hipnotizante, do pote de café que ganhei, de você cantando feito maluco enquanto dirigia… Me lembrei também do dia em que seu avô morreu e de todos aqueles dias tristes em que você mais precisou de um abraço e que eu não pude fazer nada. Como poderia me esquecer dos momentos em que você entrava por aquela porta? E das manhãs que eu tinha que me despedir de você sem saber se voltaria a te encontrar outra vez ? Difícil.

Sabe, aconteceu muita coisa neste ano em que eu não te vi. Um pouco mais até do que minha sanidade seria capaz de suportar. Você sabe, às vezes a vida é mais áspera do que supomos. Quando te conheci, eu imaginei que a narrativa da minha história seria bem diferente disso tudo que foi até aqui. Embora eu acredite em Deus confesso que briguei com ele em muitos momentos. Brigava porque acreditava. E porque não entendia como ele fora capaz de deixar você longe de mim. Eu nunca imaginei que essa distância sempre presente doeria tanto – e por tanto tempo. Sabe, nesse tempo que passou eu te abracei por lembranças e meu sorriso ficou assim, meio triste. Você, uma pessoa que nunca gostou de sentir-se presa, me prendeu pra todo um sempre no seu mundo.

Mas agora, como eu ia dizendo no começo deste post, eu “tenho me sentido legal”. Depois de seis meses eu voltei a dormir uma noite inteira sem remédios. Viver sem você tem sido uma experiência ao mesmo tempo torturante e libertadora. Pensando bem em tudo que aconteceu até aqui, nos grandes e pequenos acontecimentos dessa trajetória, descobri que os melhores momentos foram os inesperados, não os planejados. Por isso estou aprendendo a não perder tempo tentando antecipar e planejar as coisas. Quero me dedicar apenas a viver. Se é impossível controlar, para que gastar tempo tentando? É a incerteza do que nos espera na próxima esquina o encanto da vida. Quanto ao que ficou na lembrança, isso não dá pra apagar. Como tantas pessoas maravilhosas que caminharam comigo você é parte da minha história. Agora eu sigo aqui, com minha merecida e batalhada alegria e, de alguma maneira, torcendo para que na virada de uma dessas esquinas da vida eu acabe esbarrando em você.

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epifania

julho 9, 2009

o leitor

Sou avessa aos extremos e aos extremistas. Me permito discordar várias vezes dos outros e de mim mesma. No meio de infinitos rituais de adeuses que me meti, a explicação mais razoável que encontrei foi somente a sempre provável incerteza, uma espécie de perplexidade misturada a uma grande melancolia. Não estou mal… mas não estou bem… não sei. Onde foi parar aquela magia essencial de viver? De repente – de repente tudo parou: o telefone parou, os e-mails pararam, os amigos desapareceram, os sonhos morreram, a vida parou – e só o meu coração continua batendo tum-tum—-tum-tum. Às vezes quase sempre a melancolia me empalidece e uma saudade morna e incompreensível de épocas nunca vividas me consome pelas beiradas. Estou prestes a, de um momento para outro, me sentar no fio da calçada e sorrir meus sorrisos tristes, nada orgulhosos, pedindo sempre desculpas por não pertencer a este mundo. Hoje meu mundo não tem forças nem para gritar – apenas sussurra. Quanto ao futuro, o temo demasiadamente, porque conheço meus próprios limites. Estou em busca de alguém com uma simplicidade avassaladora para me perder nele com ele.

Alguém que aceite tanto sonos demorados quanto insônias insuportáveis. Que entenda certos comportamentos pessoais como parte da diversidade humana: logo uma pessoa tímida é simplesmente uma pessoa acanhada e outra extrovertida, uma pessoa comunicativa. Que saiba despertar com um beijo, que abra a janela para a luz do sol ou das estrelas. Alguém que diga coisas com voz firme ou silêncios demorados. Que aceite perfeitas imperfeições ao invés de buscar regular ou normalizar o outro com base em si mesmo. Alguém que queira somar e não dominar. Que entenda que o abraço é mais eficaz que uma intervenção “psicofármaca”. Que esteja disposto a amar a exceção ao invés de buscar sempre pelo padrão. Alguém que ainda saiba como se faz sexo-com-amor e queira dissolver o próprio eu no eu do outro. Que consiga despertar a vontade de ser feliz dentro da gente. Alguém que não me ensurdeça com monólogos entediantes e não apenas confirme as certezas, mas que exista para testá-las sem deixar muitas cicatrizes. Embora apenas suspeite de sua existência, procuro neste alguém algum critério para sustentar as minhas vagas e grandes esperanças.

“Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pântano de antes, cheio de possibilidades – que não aconteciam, mas que importa? – a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada.” (Caio F.)