Sobre fins e quase-fins

hello stranger

“…tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado…” Essa frase de Caio F. me define muito bem hoje. Faz um bocado de tempo que não escrevo: por falta de oportunidade – o que é bom, porque significa que ando bem ocupada. E por falta de necessidade: tenho mania de fazer da escrita minha terapia – escrevo pra espantar as dores, os temores, as frustrações – o que significa que ando numa fase bem boa depois de seis meses seguidos no “limbo”. Esses dias, em meio a esse período de tantas mudanças, andei pensando muito nas pessoas que passaram pela minha vida nos últimos anos. Tanta gente. Tanta gente! É claro que penso nas pessoas a-d-o-r-á-v-e-i-s (seres péssimos faço questão de esquecer).  Lamentei o fato de alguns terem  ficado ‘pra trás’ (amigos que se casaram, construiram suas famílias ou estão longe demais preocupados com coisas importantes), outros continuam de alguma maneira por perto (via e-mail, Orkut, MSN, Skype, etc.). Recentemente reencontrei alguns amigos de infância-adolescência e foi uma experiência muito boa. Ao mesmo tempo você descobre que muitas coisas mudaram, mas que outras permanecem exatamente iguais.

Eu sou uma pessoa que se apaixona pelos amigos e confesso: a distância de algumas pessoas parte meu coração. É uma ferida que nunca se fecha. Em cada lugar que passei ficou uma lembrança, um pedacinho de mim. Se eu disser que nos últimos dias dos últimos, diríamos, três anos e meio, não teve um só dia que não acordei pensando em uma dessas pessoas, certamente muitos vão achar que é mentira. Mas é verdade. Existem coisas inexplicáveis que acontecem que eu gostaria muito de ter resposta, mas infelizmente (ou felizmente) tenho que aceitar o mistério. Várias vezes por dia me peguei com uma cena sua na cabeça.

Você entrou na minha vida em algum dia de novembro de 2005 e nunca mais saiu. E nesses dias em que andei pensando muito nas pessoas que passaram pela minha vida nos últimos anos me lembrei da sua insistência em ser meu amigo e da minha resistência em aceitar um stranger. Me lembrei daquele dia em que passei 3 horas sentada na escada daquela rodoviária esperando você chegar, daquele beijo na esquina do Mercado Municipal, das músicas que ouvimos de longe – e de perto-, da sua mão tão macia e bonita, do seu sorriso hipnotizante, do pote de café que ganhei, de você cantando feito maluco enquanto dirigia… Me lembrei também do dia em que seu avô morreu e de todos aqueles dias tristes em que você mais precisou de um abraço e que eu não pude fazer nada. Como poderia me esquecer dos momentos em que você entrava por aquela porta? E das manhãs que eu tinha que me despedir de você sem saber se voltaria a te encontrar outra vez? Difícil.

Sabe, aconteceu muita coisa nestes muitos dias em que eu não te vejo. Um pouco mais até do que minha sanidade seria capaz de suportar. Você sabe, às vezes a vida é mais áspera do que supomos. Quando te conheci imaginei que a narrativa da nossa história seria bem diferente disso tudo que foi até aqui. Embora eu acredite em Deus confesso que briguei com ele em muitos momentos. Brigava porque acreditava. E porque não entendia como ele fora capaz de deixar você longe de mim. Eu nunca imaginei que essa distância sempre presente doeria tanto – e por tanto tempo.  Nesse tempo que passou eu te abracei por lembranças e meu sorriso ficou assim, meio triste. Você, uma pessoa que nunca gostou de sentir-se presa, me prendeu pra todo um sempre no seu mundo.

Mas agora, como eu ia dizendo no começo deste post, eu “tenho me sentido legal”. Depois de seis meses eu voltei a dormir uma noite inteira sem remédios. Viver sem você tem sido uma experiência ao mesmo tempo torturante e libertadora. Pensando bem em tudo que aconteceu até aqui, nos grandes e pequenos acontecimentos dessa trajetória, descobri que os melhores momentos foram os inesperados, não os planejados. Por isso estou aprendendo a não perder tempo tentando antecipar e planejar as coisas. Quero me dedicar apenas a viver. Se é impossível controlar, para que gastar tempo tentando? É a incerteza do que nos espera na próxima esquina o encanto da vida. Quanto ao que ficou na lembrança, isso não dá pra ignorar. Como tantas pessoas maravilhosas que caminharam comigo você é parte da minha história. Agora eu sigo aqui, com minha merecida e batalhada alegria e, de alguma maneira, torcendo para que na virada de uma dessas esquinas da vida eu acabe esbarrando outra vez em você.

Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.  (Caio F.)

“…tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado…” Essa frase de Caio F. me define muito bem hoje. Faz um bocado de tempo que não escrevo: por falta de oportunidade – o que é bom, porque significa que ando bem ocupada. E por falta de necessidade: tenho mania de fazer da escrita minha terapia – escrevo pra espantar as dores, os temores, as frustrações – o que significa que ando numa fase bem boa depois de seis meses seguidos no “limbo”. Esses dias, em meio a esse período de tantas mudanças, andei pensando muito nas pessoas que passaram pela minha vida nos últimos anos. Tanta gente. Tanta gente! É claro que penso nas pessoas a-d-o-r-á-v-e-i-s (seres péssimos faço questão de esquecer). Lamentei o fato de alguns terem ficado ‘pra trás’ (amigos que se casaram, construiram suas famílias ou estão longe demais preocupados com coisas importantes), outros continuam de alguma maneira por perto (via e-mail, Orkut, MSN, Skype, etc.). Recentemente reencontrei alguns amigos de infância-adolescência e foi uma experiência muito boa. Ao mesmo tempo você descobre que muitas coisas mudaram, mas que outras permanecem exatamente iguais.

Eu sou uma pessoa que se apaixona pelos amigos e confesso: a distância de algumas pessoas parte meu coração. É uma ferida que nunca se fecha. Em cada lugar que passei ficou uma lembrança, um pedacinho de mim. Se eu disser que os últimos dias, dos últimos – diríamos, três anos e meio – não teve um só dia que não acordei pensando em uma dessas pessoas, certamente as pessoas não acreditariam. Mas é verdade. Existem coisas inexplicáveis que acontecem que eu gostaria muito de ter resposta, mas infelizmente (ou felizmente) tenho que aceitar o mistério. Várias vezes por dia me peguei com uma cena sua na cabeça.

Você entrou na minha vida em algum dia de novembro de 2005 e nunca mais saiu. E nesses dias em que andei pensando muito nas pessoas que passaram pela minha vida nos últimos anos me lembrei da sua insistência em ser meu amigo e da minha resistência em aceitar um stranger. Me lembrei daquele dia em que passei 3 horas sentada na escada daquela rodoviária esperando você chegar, daquele beijo na esquina do Mercado Municipal, das músicas que ouvimos de longe ou perto, da sua mão tão macia e bonita, do seu sorriso hipnotizante, do pote de café que ganhei, de você cantando feito maluco enquanto dirigia… Me lembrei também do dia em que seu avô morreu e de todos aqueles dias tristes em que você mais precisou de um abraço e que eu não pude fazer nada. Como poderia me esquecer dos momentos em que você entrava por aquela porta? E das manhãs que eu tinha que me despedir de você sem saber se voltaria a te encontrar outra vez ? Difícil.

Sabe, aconteceu muita coisa neste ano em que eu não te vi. Um pouco mais até do que minha sanidade seria capaz de suportar. Você sabe, às vezes a vida é mais áspera do que supomos. Quando te conheci, eu imaginei que a narrativa da minha história seria bem diferente disso tudo que foi até aqui. Embora eu acredite em Deus confesso que briguei com ele em muitos momentos. Brigava porque acreditava. E porque não entendia como ele fora capaz de deixar você longe de mim. Eu nunca imaginei que essa distância sempre presente doeria tanto – e por tanto tempo. Sabe, nesse tempo que passou eu te abracei por lembranças e meu sorriso ficou assim, meio triste. Você, uma pessoa que nunca gostou de sentir-se presa, me prendeu pra todo um sempre no seu mundo.

Mas agora, como eu ia dizendo no começo deste post, eu “tenho me sentido legal”. Depois de seis meses eu voltei a dormir uma noite inteira sem remédios. Viver sem você tem sido uma experiência ao mesmo tempo torturante e libertadora. Pensando bem em tudo que aconteceu até aqui, nos grandes e pequenos acontecimentos dessa trajetória, descobri que os melhores momentos foram os inesperados, não os planejados. Por isso estou aprendendo a não perder tempo tentando antecipar e planejar as coisas. Quero me dedicar apenas a viver. Se é impossível controlar, para que gastar tempo tentando? É a incerteza do que nos espera na próxima esquina o encanto da vida. Quanto ao que ficou na lembrança, isso não dá pra apagar. Como tantas pessoas maravilhosas que caminharam comigo você é parte da minha história. Agora eu sigo aqui, com minha merecida e batalhada alegria e, de alguma maneira, torcendo para que na virada de uma dessas esquinas da vida eu acabe esbarrando em você.

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3 Respostas to “Sobre fins e quase-fins”

  1. Luis Says:

    Maioneggs, “A cada dia basta seu cuidado” 🙂
    PS: Dahora a menina ruiva do post!

    Bjo!

  2. Max Says:

    Como sempre muito bom seu texto, so em saber que a gnete fez parte de sua vida por alguns segundos, sabe que tem coisa q vc escreveque eu me indetifico nao sei lhe explicar, resumindo adorei maximo mesmo bja grande!

  3. Thais Says:

    É isso aí, amiga guerreira!
    Pessoas vêm e vão em em nosso viver e sempre deixam algo de especial. Mas o fato é que a vida deve seguir sem nos prendermos obsessivamente a elas. Trilhar o caminho sem bagagens pesadas é sempre mais gostoso. Assim a gente observa a paisagem com calma e pode descobrir algo que nunca tinha notado. Que sua estrada seja sempre cheia de flores!

    Beijos e um final de semana reconfortante!

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