Archive for novembro \24\UTC 2009

It’s true.

novembro 24, 2009

“(…) I see all this potential, and I see squandering. God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don’t need. We’re the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War’s a spiritual war… our Great Depression is our lives. We’ve all been raised on television to believe that one day we’d all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won’t. And we’re slowly learning that fact. And we’re very, very pissed off.”

( Fight Club)

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Open my eyes

novembro 15, 2009

deixa eu entrar por favor

Durante toda minha infância enxerguei os livros como algo “sagrado”. Isso não significa que tinham algum significado importante pra minha educação. Muito pelo contrário. Eles eram quase que “proibidos” – semelhante a algum material de conteúdo obsceno talvez. Vou explicar. Até hoje na casa dos meus pais, no Paraná, temos uma estante, daquelas bem antigas, abarrotada de livros. Há anos eles seguem lá. Muitos intactos, a maioria desatualizada – imagino. Enciclopédias, dicionários ilustrados, alguma coisa de literatura, poesias, matemática…

Lembro-me quando meus pais estavam longe eu sempre dava um jeitinho de ir até lá explorar aquele armário (muitas vezes ficava trancado e eu tinha que procurar a chave). Era um ato de desobediência, quase uma rebeldia. Tirar aqueles livros de suas caixas intocadas me emocionava: quanta informação! Ficava maravilhada com os bichos das enciclopédias, adorava ler poesias…  Confesso que não me lembro de ter visto meu pai, que era bancário da Caixa Econômica, gastando algum tempo no deleite de qualquer uma daquelas obras. Talvez o fizesse escondido, não sei. E com a sensação de pisar em terreno proibido, tomava todo cuidado para não deixar pistas.

Aprendi a “ler os livros” não faz muito tempo. Fiz tudo errado até então. Na infância, os contemplava. No colégio, tudo se resumia a resumos – tinha que estudar para “passar de ano”, não para aprender. Na faculdade, eram “os xerox”:  universidade privada, custo alto, nem podia pensar em gastar com isso. Lamento não ter adquirido antes o amor pela leitura, de não ter aprendido a “gastar” tempo com os livros. Trocar as obras pelos “resumões” foi uma idéia muito péssima (pra não dizer muito burra). Hoje, quando compro um livro, ou devoro de uma vez ou levo uma vida para terminá-lo: sim, tenho preguiça. Tenho também o que chamam de “vista cansada” – é uma tristeza.  Pior de tudo, tenho ciúmes: são poucos os que consigo emprestar (qualquer semelhança com meu pai não é mera coincidência) –  prefiro presentear um amigo com um livro, comprar outro, a ter de aceitar a idéia de qualquer pessoa manuseando aquelas páginas “sagradas” com o menor descuido que seja. Egoísmo? Acho que não. Talvez seja mais uma dessas atitudes automáticas que herdamos de nossos pais.

Hoje olhei para meus livros esperando serem lidos e me lembrei da minha mãe sempre reclamando com meu pai: “vai doar essa velharia empoeirada pra alguma biblioteca, joga pra reciclagem…” Mal sabe ela que lá, naquele armário quase despencando, está um tesouro escondido, esperando ser lido, desejado, encontrado – mesmo que tarde. Há algum tempo descobri o amor pela palavra, pela escrita. Poderia ter crescido já apaixonada, quem sabe seria uma escritora das boas –  talvez. Por isso me emociono com coisas lindas que descubro que há tempos já estavam escritas. Então, constantemente, apanho ao tentar encontrar as palavras certas para encaixar em algum texto. E sofro, muito, para perdoar meu pai e sua estante, que não conseguem sentir remorso por terem me mantido privada daquilo que um dia mataria – não a minha fome de comida, mas minha fome de vida.

“… por mais que tentemos seguir em frente, por mais tentador que seja não olhar para trás, o passado sempre volta para nos infernizar. E como a história nos mostrou inúmeras vezes, quem esquece o passado está destinado a repeti-lo. Às vezes o passado é uma coisa que não conseguimos esquecer. E às vezes o passado é algo que faríamos tudo para esquecer. E, às vezes, descobrimos algo novo sobre o passado, que muda tudo o que sabemos sobre o presente.”

(Grey’s Anatomy 6.09 – “New History”)

Polaroids desbotadas

novembro 7, 2009

polaroids desbotadas cópia

Deveria ser proibido ser esquecido. Não há nada mais triste do que não ser lembrado. Pior ainda é quando o esquecimento é de propósito. Não é simples explicar a frustração da espera por alguém que nunca vai chegar. Mesmo sabendo que tudo é muito previsível, o coração fica temporariamente interditado diante da constatação de que se é desimportante demais. Algumas vezes dói tanto, que nocauteada, a vontade é de engessar a mente até ela sarar, assim como se engessa braço quebrado.

Por que é tão difícil pra algumas pessoas dizer a verdade à queima roupa? Faço de conta que não me importo, mas demora a passar. A verdade é que eu não deveria me importar tanto com isso. Talvez, por fora, em primeira apresentação, todos nós sejamos rock’n’roll. Mas olhando por dentro, não passamos de um jazz – ou blues. Escrevendo, pensei que poderia expurgar essa sensação permanente de luta – mas ela insiste em não me deixar.

Qual o caminho para onde tudo acontece perfeito e nada dói nem ofega, numa eterna monotonia de paz? Minha companhia é o conflito, nunca a harmonia. O paraíso constantemente foge de nós, pessoas dispensáveis, que o inventamos – como muitas vezes eu inventei uma infinidade de motivos para esperá-lo. É doloroso ser esquecido, pior talvez seja esquecer. E quando eu esquecer tudo isso que transborda pelos poros, por favor: lembre-me apenas de não me lembrar. De nada mais.

When somethings broke,
I wanna put a bit of fixin on it
When somethings bored,
I wanna put a little exciting on it
If somethings low,
I wanna put a little high on it
When somethings lost,
I wanna fight to get it back again

(Pearl Jam – The Fixer)