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Pra não dizer que eu só falei de dores, desamores, perdas, partidas e dissabores, hoje vou falar de alegrias, ganhos, chegadas e flores. Só por hoje e muitos outros dias eu pretendo não mais chorar, não quero mais me despedir, nem implorar. Quero apenas respirar e caminhar, sem exigências, sem solicitações, sem ir além. Depois de muito, muito sonhar teve um dia que acordei e descobri que por pensar demais acabei adquirindo aquele olhar distante de sonhador. E por causa dele, na melhor das hipóteses, sou considerada excêntrica. E na pior, louca.

Durante muito, muito tempo eu permaneci presa às lembranças de um relacionamento unilateral, com uma constante vontade contida de gritar bem alto palavras duras, secas, simples, irrevogáveis, bem fundo, rouca, exausta, correndo, esmagando lembranças. Fui levando uma vida formada de pequenas satisfações que, somadas algumas vezes, chegaram a beirar a felicidade. Talvez por isso, às vezes, ainda fique triste sem motivo, sem saber sequer se estou realmente triste. A verdade é que eu preciso muito, muito falar de flores, de amores, nem que seja muito, muito de vez em quando. Quem sabe assim, gradativamente, as feridas vão cicatrizando.

Muitas vezes viajamos longas distâncias só para descobrir que o que tanto procurávamos era aquilo que certa vez foi deixado pra trás, coberto por um nevoeiro de emoções profundas. Sempre tive a certeza que para continuar vivendo precisava de uma parte de mim que não está em mim. Precisava, mas tive que aprender a viver pela metade – como se fosse possível viver assim, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã. Talvez haja nas pessoas uma recusa adolescente de levar a sério o envelhecimento, a fragilidade dos outros, as responsabilidades interpessoais e as fraquezas de todo o tipo.

Durante muito, muito tempo, venho aprendendo que a vida deve se impor e que é possível seguir, mesmo quando nos sentimos aos pedaços. Não é preciso muito para entender que o essencial e o que realmente importa é o que faz nosso coração bater mais rápido. E pra não dizer que não falei de amores, peço desculpas com um suspiro por não conseguir deixar de citar as dores. Esses dias tremi quando me esqueci que estava esquecendo. Foi quando compreendi que relembrar é rachar-se. E aos poucos fui me esquecendo também dos socos, pontapés e golpes baixos que a vida me deu e ainda dará. E assim, fui aprendendo que o deserto não é só inevitável, mas necessário.

“Precisamos continuar nos reinventando. Quase a cada minuto. Porque o mundo pode mudar em um minuto. E não há tempo para olhar para trás. Às vezes a mudança nos é imposta. Às vezes acontece por acidente e fazemos o melhor com ela. Temos que, constantemente, encontrar novas maneiras de nos consertar. Então nós mudamos, nos adaptamos. Criamos novas versões de nós mesmos. Nós apenas precisamos ter certeza de que isso tudo é uma evolução.”

(G.A – 6.14 “Valentine’s Day Massacre”)

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