Posts Tagged ‘Grey’s Anatomy’

white flag

fevereiro 12, 2010

Pra não dizer que eu só falei de dores, desamores, perdas, partidas e dissabores, hoje vou falar de alegrias, ganhos, chegadas e flores. Só por hoje e muitos outros dias eu pretendo não mais chorar, não quero mais me despedir, nem implorar. Quero apenas respirar e caminhar, sem exigências, sem solicitações, sem ir além. Depois de muito, muito sonhar teve um dia que acordei e descobri que por pensar demais acabei adquirindo aquele olhar distante de sonhador. E por causa dele, na melhor das hipóteses, sou considerada excêntrica. E na pior, louca.

Durante muito, muito tempo eu permaneci presa às lembranças de um relacionamento unilateral, com uma constante vontade contida de gritar bem alto palavras duras, secas, simples, irrevogáveis, bem fundo, rouca, exausta, correndo, esmagando lembranças. Fui levando uma vida formada de pequenas satisfações que, somadas algumas vezes, chegaram a beirar a felicidade. Talvez por isso, às vezes, ainda fique triste sem motivo, sem saber sequer se estou realmente triste. A verdade é que eu preciso muito, muito falar de flores, de amores, nem que seja muito, muito de vez em quando. Quem sabe assim, gradativamente, as feridas vão cicatrizando.

Muitas vezes viajamos longas distâncias só para descobrir que o que tanto procurávamos era aquilo que certa vez foi deixado pra trás, coberto por um nevoeiro de emoções profundas. Sempre tive a certeza que para continuar vivendo precisava de uma parte de mim que não está em mim. Precisava, mas tive que aprender a viver pela metade – como se fosse possível viver assim, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã. Talvez haja nas pessoas uma recusa adolescente de levar a sério o envelhecimento, a fragilidade dos outros, as responsabilidades interpessoais e as fraquezas de todo o tipo.

Durante muito, muito tempo, venho aprendendo que a vida deve se impor e que é possível seguir, mesmo quando nos sentimos aos pedaços. Não é preciso muito para entender que o essencial e o que realmente importa é o que faz nosso coração bater mais rápido. E pra não dizer que não falei de amores, peço desculpas com um suspiro por não conseguir deixar de citar as dores. Esses dias tremi quando me esqueci que estava esquecendo. Foi quando compreendi que relembrar é rachar-se. E aos poucos fui me esquecendo também dos socos, pontapés e golpes baixos que a vida me deu e ainda dará. E assim, fui aprendendo que o deserto não é só inevitável, mas necessário.

“Precisamos continuar nos reinventando. Quase a cada minuto. Porque o mundo pode mudar em um minuto. E não há tempo para olhar para trás. Às vezes a mudança nos é imposta. Às vezes acontece por acidente e fazemos o melhor com ela. Temos que, constantemente, encontrar novas maneiras de nos consertar. Então nós mudamos, nos adaptamos. Criamos novas versões de nós mesmos. Nós apenas precisamos ter certeza de que isso tudo é uma evolução.”

(G.A – 6.14 “Valentine’s Day Massacre”)

Open my eyes

novembro 15, 2009

deixa eu entrar por favor

Durante toda minha infância enxerguei os livros como algo “sagrado”. Isso não significa que tinham algum significado importante pra minha educação. Muito pelo contrário. Eles eram quase que “proibidos” – semelhante a algum material de conteúdo obsceno talvez. Vou explicar. Até hoje na casa dos meus pais, no Paraná, temos uma estante, daquelas bem antigas, abarrotada de livros. Há anos eles seguem lá. Muitos intactos, a maioria desatualizada – imagino. Enciclopédias, dicionários ilustrados, alguma coisa de literatura, poesias, matemática…

Lembro-me quando meus pais estavam longe eu sempre dava um jeitinho de ir até lá explorar aquele armário (muitas vezes ficava trancado e eu tinha que procurar a chave). Era um ato de desobediência, quase uma rebeldia. Tirar aqueles livros de suas caixas intocadas me emocionava: quanta informação! Ficava maravilhada com os bichos das enciclopédias, adorava ler poesias…  Confesso que não me lembro de ter visto meu pai, que era bancário da Caixa Econômica, gastando algum tempo no deleite de qualquer uma daquelas obras. Talvez o fizesse escondido, não sei. E com a sensação de pisar em terreno proibido, tomava todo cuidado para não deixar pistas.

Aprendi a “ler os livros” não faz muito tempo. Fiz tudo errado até então. Na infância, os contemplava. No colégio, tudo se resumia a resumos – tinha que estudar para “passar de ano”, não para aprender. Na faculdade, eram “os xerox”:  universidade privada, custo alto, nem podia pensar em gastar com isso. Lamento não ter adquirido antes o amor pela leitura, de não ter aprendido a “gastar” tempo com os livros. Trocar as obras pelos “resumões” foi uma idéia muito péssima (pra não dizer muito burra). Hoje, quando compro um livro, ou devoro de uma vez ou levo uma vida para terminá-lo: sim, tenho preguiça. Tenho também o que chamam de “vista cansada” – é uma tristeza.  Pior de tudo, tenho ciúmes: são poucos os que consigo emprestar (qualquer semelhança com meu pai não é mera coincidência) –  prefiro presentear um amigo com um livro, comprar outro, a ter de aceitar a idéia de qualquer pessoa manuseando aquelas páginas “sagradas” com o menor descuido que seja. Egoísmo? Acho que não. Talvez seja mais uma dessas atitudes automáticas que herdamos de nossos pais.

Hoje olhei para meus livros esperando serem lidos e me lembrei da minha mãe sempre reclamando com meu pai: “vai doar essa velharia empoeirada pra alguma biblioteca, joga pra reciclagem…” Mal sabe ela que lá, naquele armário quase despencando, está um tesouro escondido, esperando ser lido, desejado, encontrado – mesmo que tarde. Há algum tempo descobri o amor pela palavra, pela escrita. Poderia ter crescido já apaixonada, quem sabe seria uma escritora das boas –  talvez. Por isso me emociono com coisas lindas que descubro que há tempos já estavam escritas. Então, constantemente, apanho ao tentar encontrar as palavras certas para encaixar em algum texto. E sofro, muito, para perdoar meu pai e sua estante, que não conseguem sentir remorso por terem me mantido privada daquilo que um dia mataria – não a minha fome de comida, mas minha fome de vida.

“… por mais que tentemos seguir em frente, por mais tentador que seja não olhar para trás, o passado sempre volta para nos infernizar. E como a história nos mostrou inúmeras vezes, quem esquece o passado está destinado a repeti-lo. Às vezes o passado é uma coisa que não conseguimos esquecer. E às vezes o passado é algo que faríamos tudo para esquecer. E, às vezes, descobrimos algo novo sobre o passado, que muda tudo o que sabemos sobre o presente.”

(Grey’s Anatomy 6.09 – “New History”)

Resiliência

junho 23, 2009

post-it

Maringá – 23/06/2009
Dj espetáculo…

Eu tô meio agitada, aqui, de mudança (again!) para family’s place. Faz tempo que tenho problemas em fazer as malas e voltar pra “casa” – sempre barulhenta, problemática, com os velhos gatos e cachorros de sempre. É estranho, família é uma coisa que a gente passa muito tempo negando até perceber não só que não deve negar como também é bom, consolador. Agora decidi. Não dá mais pra continuar correndo atrás desse jornalismo utópico. Cansei de ficar procurando, esperando alguma coisa que não existe nem existiu ou jamais existirá. Minha decepção foi tão grande que tenho vontade de sumir, perder o contato com as pessoas, ficar vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música – não tenho mais paciência para esses jogos de ego, que eu conscientemente não alimento. Daí então, percebo que viver fugindo não vai curar e sigo em busca de um pouco de Sol (em todos os sentidos).

No momento, estou reduzindo tudo que tenho a no máximo duas malas. Vou ficar provisoriamente aqui. Minha vida tá em compasso de espera – penso sempre que as mulheres grávidas devem sentir algo semelhante antes de botar um filho no mundo. Talvez me mude daqui um mês para cobrir uma licença maternidade aí no interior de São Paulo, mas não sei ainda se isso é certo e nem o que vai acontecer. Sabe, sempre tentei viver no sentido de não ter muitos laços, não me prender, de ser independente, de poder cair fora na hora que quisesse e, agora aos 30 anos, podendo realmente fazer isso, me sinto meio exilada, meio… desamparada – acho que a palavra é essa. Devia ter arrumado outra profissão? Teria sido possível? E qual seria? Veterinária, psicóloga, cozinheira, costureira? Não sei.

Ultimamente estou tentando me convencer de que estou ótima. É quase um mantra. Fico aqui quietinha sem incomodar ninguém, sem dever nada a ninguém, sem nada além de eu, eu mesma e eu – e isso nem é tão ruim. Fico repetindo: “que bom, Deus, que sou capaz de estar viva sem prejudicar ninguém, que bom que sou forte, que bom que suporto, que bom que sou corajosa e até me divirto e conheço pessoas maravilhosas no meio dessa eterna-bagunça-profissional-sentimental. Estou ótima. E vou ficar melhor ainda: that’s my revenge against the world”. Hoje escrevi com batom no espelho do banheiro: “Eu Amo Você” – pra mim mesma. Quero que daqui pra frente a vida seja hoje. A minha vida não é adiável. Ser feliz agora é uma obrigação.

Enquanto te escrevo ouço Norah Jones cantando “The Prettiest Thing” que neste momento exato acabou de me fazer lembrar o dia em que nos conhecemos. Tenho uma vontade besta de voltar no tempo, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido. Saca? Aquela vontade de poder viver os encontros adiados, as visitas transferidas, os sonhos frustrados. Anyway, como me dói a certeza de um não, me dói a sinceridade do silêncio, me dói não saber de que forma chegar a você, sacudi-lo, dizer “me olha, me encara, me abraça, me aceita, me leva pra casa!” Você e a dor são coisas e-ter-na-men-te-in-se-pa-rá-veis. Tudo isso passa, eu sei. Ou pelo menos acalma com a idade – I hope so.

Me desculpe se me afastei. Ando mesmo em silêncio: saída do emprego e aquelas agitações que você bem sabe. Minha cabeça fica péssima, medos, inseguranças, paranóias, saudades. Daí, fico pensando em tudo outra vez, no cansaço, tantos anos, tantas batalhas e sempre esses mesmos problemas e carências. Teu “retorno” na minha vida me fez muito bem. E muito mal. Acho que compreendo tudo que você pensa. São coisas que me digo, também. Mas há uma diferença entre você saber intelectualmente e conseguir passar isso para o seu comportamento. Como disse antes, acho que seja apenas uma questão de tempo. Mas vamos lá, não importa mais o que foi perdido importa apenas o seu sorriso e nada mais.

HOJE É TEU ANIVERSÁRIO e eu (ainda) te quero bem, muito bem meu bem. Quero que você se sinta completamente feliz, saudável, único, maduro & equilibrado. Nessa metade de ano foram tantos acontecimentos & desacontecimentos, desentendimentos, muitas correrias, não deu pra gente se ver nem falar direito. It’s a shame! Mas there will be time, there will be time. Espero que você arrume uma namorada nova, gatinha, sem problemas, sossegada, que te dê cama & carinho – simples e gostoso. Por que não?

Só por hoje vou fingir que-os-problemas-foram-todos-superados-e-tudo-está-muito-mara-e-que-nossa-relação-foi-um-erro-e-que-vamos-ser-apenas-bons-amigos. Parênteses: bons amigos? Nem pensar, já tenho ótimos. Você-eu-quero-na-minha-cama-e-nos-meus-braços-e-com-tua-boca-na-minha. Parênteses dentro do parênteses:  essa memória da gente é espertinha, apaga o amargo, a peneira só deixa passar o doce, né?! Fechar parênteses. Espero que você continue nesse endereço, caso contrário nos perderemos (espero que não para sempre).

Espero que você esteja bem e continue bem pelos, pelo menos, próximos 35 anos, apesar dos – digamos – problemas brasileiros: trabalho demais, trabalho mal pago, suado, sofrido, viagens cansativas, contas, contas & contas. Mas eu (ainda) tenho fé. Pedi a Deus que te ensine qualquer coisa que, não sei exatamente como, consiga manter você sereno no meio desta falta absoluta de certezas. A você só vou  pedir uma coisinha: nunca se esqueça do quanto você é uma pessoa in-su-por-ta-vel-men-te-a-do-rá-vel. Tudo isso é pura verdade, e eu concluo que, de alguma forma, nossa ligação mental? espiritual? psicológica? Continua sempre muito forte – pelo menos da minha parte. Não se preocupe com não-respostas ou longos silêncios. Sou a pessoa mais indicada para compreender esse tipo de coisa.

Listen, não quero nunca me perder da sua pessoa, nem preciso dizer isso porque você sabe. Portanto, mesmo que um dia você cometa a infâmia de desaparecer da minha vida, num outro, de repente a gente se encontra numa esquina, num café, num outro planeta, no meio duma festa ou duma fossa, no meio duma multidão a gente se encontra, tenho certeza. I wish you a lot of happyness. Aproveite seu dia numa nice e toma um café por mim que o mundo acabou faz tempo.

Love from
Pri
PS — E TENHA UM FELIZ ANIVERSÁRIO!

“Somos todos Laikas, um país de Laikas, aquela cachorrinha que os russos mandaram pro espaço nos anos 50 e não conseguiram trazer de volta. Eu sempre imagino que ela caiu num buraco negro e foi dar num planeta cheio de Laikas. A condição humana é Laika, a gente urrando pro infinito.” (Caio F.)

I can handle the mess

novembro 22, 2008

 
“Quando você é criança, a noite é assustadora. Porque existem monstros escondidos debaixo da cama. Quando você cresce os monstros são diferentes. Desconfiança… solidão… arrependimento. E embora você seja mais velho e mais sábio, você ainda se vê com medo do escuro.

Dormir… é a coisa mais fácil de se fazer. Você só… fecha os olhos. Mas para muitos de nós, dormir parece estar fora de nossa compreensão. Nós queremos, mas… não sabemos como conseguir. Mas, uma vez que enfrentamos os nossos demônios… os nossos medos e pedimos ajuda uns aos outros… a noite não é tão assustadora assim porque… nós percebemos que não estamos totalmente sozinhos na escuridão”.  (Grey’s Anatomy 5.09)