Posts Tagged ‘Pearl Jam’

I’m just a human being

abril 28, 2010

 

hoje dói, amanhã também, mas um dia deixa de doer. parece clichê, mas acredite, o tempo cuida de tudo. e como disse o Carpinejar: “o sofrimento é sempre didático”. então aprenda alguma coisa com toda essa diarréia sentimental. é como explicam nas reuniões dos AA “um dia de cada vez”. não estou falando de otimismo ou esperança – pra mim isso tudo não passa de estupidez disfarçada. mesmo que você se esforce pra dar o melhor de si, alguém vai sempre conseguir se queixar de algo que você não pode fazer ou oferecer. aparecem os choques de idéias, de valores, de desejos, a priorização das necessidades… e assim os relacionamentos tornam-se irremediáveis e as dores insuportavelmente incuráveis. ou quem sabe pode aparecer uma oportunidade de diálogo, um espaço para a sabedoria de compartilhar, um tímido enobrecimento pelo aceitar. relacionamentos inteligentes não combinam com humilhação, mas com humildade. às vezes o futuro é tudo aquilo que não planejamos.

“Não há grandes dores, nem grandes arrependimentos, nem grandes recordações. Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores. É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida. Há apenas uma certa maneira de ver as coisas, e ela surge de vez em quando. É por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida. Isso constitui pelo menos um álibi para os desesperos sem razão que se apoderam de nós”.

(Albert Camus – A Morte Feliz)

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Teimosia

março 25, 2010

Dia desses uma pessoa me perguntou sobre o que me atrai em um homem. “Complicado dizer”, respondi. Como explicar que nem sempre o mais agradável me encanta? E que nunca me interesso de cara pelo todo? Que me apego aos detalhes, às sutilezas, que quando me apaixono o peculiar assume o papel de protagonista e o todo transforma-se apenas em coadjuvante? Será que alguém entende que o pouco me transborda? Sou tortuosa demais para não causar espanto. Meus sonhos não são padronizados, domesticados ou manipulados. A verdade é que nem sonho mais, vivo acordada, atenta aos pequenos milagres, em busca de alguém que carregue algum mistério. O comum me mata, procuro pelas exceções.

O desalento me habita diante da ausência de alguém com uma leveza própria das pessoas que decidiram não mais complicar. Será que a teimosia compensa? E o inconformismo ainda é uma boa luta? Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminho. O que fazer quando nenhum paraíso parece convincente? Será tarde demais? Avanço às cegas com minhas decisões pseudo-inteligentes. Ninguém nunca me ensinou receita alguma, nem a você, suspeito, nem. Aprendemos com os tombos.

Vivo uma espécie de auto-exorcismo, com o fígado sempre sangrando a-bun-dan-te-men-te. Sim, o fígado. Pois diferente da maioria, não amo com o coração, amo com o fígado. Numa lembrança eternizante do que passou, mas que nunca terminou e nem acabará. Sou estrangeira neste mundo, quero um porto, uma caverna, um refúgio, um amor, um amigo-inimigo, um alguém com certa alegria-tristeza-dilacerante. Quero você! #prontofalei. Como escreveu Clarice certa vez “Juro que não sei, às vezes me parece que estou perdendo tempo, às vezes me parece que pelo contrário, não há modo mais perfeito, embora inquieto, de usar o tempo: o de te esperar”.

“Vou te dizer o que eu nunca te disse antes, talvez seja isso o que está faltando: ter dito. Se eu não disse, não foi por avareza de dizer, nem por minha mudez de barata que tem mais olhos que boca. Se eu não disse é porque não sabia que sabia — mas agora sei. Vou-te dizer que eu te amo. Sei que te disse isso antes, e que também era verdade quando te disse, mas é que só agora estou realmente dizendo.” (Clarice Lispector)